sexta-feira, 7 de maio de 2021

Depois, digam que não avisámos!


 

2 comentários:

Carlos Diniz disse...

O que o Tiago Mayan diz é mais que correcto. Todos pagamos os ordenados dos professores, auxiliares e demais com os nossos impostos. Nada é grátis, nada.
Ok, ataque-se o mensageiro, percebi!

Jaime Santos disse...

Aquilo que é óbvio, Carlos Diniz, isto é, que pagamos impostos que por sua vez pagam todos os serviços que o Estado presta à comunidade (segurança, saúde, defesa, educação, cultura, etc) não é forçosamente trivial, nem tem que ser lido só de forma literal.

É que de facto, para a população com menos recursos, que não paga impostos sobre o rendimento (o Mayan Rodrigues quer implementar um flat tax, ou lá o que é), estes serviços se não são gratuitos (todos pagamos impostos indirectos, afinal), saem mais baratos do que para os restantes cidadãos.

E é isso que o Mayan e quejandos querem pôr em causa.

Já sei que o Doutor Ventura virá logo dizer que não será assim, porque afinal haverá deduções fiscais, mas só quem é ingénuo é que pensa que as ditas deduções fiscais servem a população mais carenciada, elas são normalmente um bodo aos ricos, que dispõem de recursos (acesso a planeamento fiscal, às vezes agressivo, que foi coisa que o dito Ventura aparentemente praticou enquanto acumulava com as funções de inspector tributário (!)) para se aproveitar delas.

Os 'self-appointed liberals', que como o Pacheco Pereira ontem bem lembrava, querem afinal aumentar os poderes ao Estado, para combater o 'socialismo' (seja lá o que isso for, porque Portugal não é de certeza um Estado onde vigora seja o socialismo real, seja sequer uma versão sua democrática, seja até a social-democracia nórdica, mas dá jeito para insultar o adversário e meter medo à Lumpen-Direita) têm um programa claro.

Eles não querem que os ricos paguem a despesa social dos pobres. Num País em que as pessoas em situação de pobreza representariam quarenta e tal por cento da população não fossem as transferências sociais, está-se mesmo a ver os problemas que a alteração do consenso social actual implicaria.

É tão simples como isso. E é esse desejo que esta frasezinha aparentemente inocente do Mayan denuncia e a que o Sr. Embaixador, que é um bom observador (não confundir com o outro Observador, que serve para ofuscar) dá relevo.

Como imagino que o meu caro também o é, faça favor de não se fazer de desentendido.

E não se contorça a retorquir que os impostos indirectos são elevados (são-no, mas podemos optar por não consumir) ou que tudo se resolveria com o modelo à irlandesa proposta pelos ditos 'liberais'.

Esse modelo tem um nome, chama-se 'nacionalismo do chico-esperto' e os 'não chicos-espertos' cansaram-se dele, veja por favor o artigo da Bárbara Reis no Público de hoje, em que ela fala disso. Ou seja, mesmo se quiséssemos ir por aí, íamos tarde...

Por isso, não nos resta outra solução que não prosseguir pelo caminho das pedras de qualificar a nossa população, melhorar a qualidade dos serviços públicos, da gestão privada (que é péssima), preservar o nosso ambiente, investir na investigação científica e no desenvolvimento tecnológico, etc, etc...

E depois a Direita, com este discurso imbecil, ainda se queixa que mau grado todos os disparates do Governo do PS, não há maneira de subir nas sondagens. Eu diria que os Portugueses, que são pobres, pelo menos não são parvos...

Como dizia no outro dia a Maria João Marques no Público, essa mesma Direita masculina e empresarial (palavras dela, insuspeita de simpatias esquerdistas) em vez de se preocupar com os problemas da habitação ou com as desigualdades, ou com o meio-ambiente, passa o tempo a olhar para o seu umbigo (leia-se, quanto paga em impostos).

E o Dr. Rio cai na esparrela e vai ao congresso do MEL, aparentemente porque irrelevâncias políticas como o Sérgio Sousa Pinto, que de fracturante irritante na juventude passou a reaccionário irritante na meia-idade, aceitaram o convite só para puderem aparecer...