26.5.21

Bielorrússia

Lukashenko só ficará no poder se Putin quiser. Embora a Bielorrússia não seja uma mera “província” da Rússia, a capacidade de decisão autónoma de Minsk acaba quando os seus atos têm consequências estratégicas de dimensão regional, como acontece no caso presente.

Putin não arriscará favorecer uma qualquer transição política em Minsk que abra portas a uma maior influência ocidental, em especial que dê espaço a um papel futuro da vizinhança báltica ou polaca junto de uma nova liderança. A lição da Ucrânia foi bem aprendida.

Lukashenko tornou-se um problema para Putin. Uma solução constitucional sem ele seria o cenário ideal para diluir tensões. Para Moscovo, contudo, o caminho é estreito: não é fácil desenhar uma liderança alternativa sem alimentar as ambições democráticas que floresceram no país.

Se tivesse inteligência tática e se o ocidente estivesse disposto a um compromisso estratégico, Putin poderia pilotar uma transição política em Minsk, recebendo, na outra mão, algum gesto compensatório de distensão na relação, quer com a UE, quer com os EUA.

É triste ter de constatar uma coisa: não existe, no “mercado” da soluções políticas, num quadro geopolítico como aquele em que a Bielorrússia se move, nenhum cenário de transição para um regime democrático “à ocidental”. E tudo se fará à custa da soberania do país.

E posso sempre estar enganado, claro.

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