sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Clima e mentalidades


Há não muitos meses, ouvi alguém com grandes responsabilidades dizer mais ou menos isto: a crise climática apresenta-se hoje já tão grave que, daqui por uns tempos, como única forma de salvar o planeta, pode vir a ser necessário impor medidas muito drásticas, que terão como consequência alterar radicalmente os nossos padrões de vida, criando muitos incómodos e suscitando fortes reações. A grande questão estará então em saber se os governos nacionais terão condições políticas para, em regime democrático, conseguirem levar à prática essas medidas, alegando “estado de necessidade”. E o meu interlocutor interrogou-se: e se os cidadãos - repito, em pleno exercício das regras da democracia - não aceitarem essas imposições, seja por egoísmo seja por não estarem convencidos de que essas soluções drásticas são, de facto, necessárias? O plano B, para salvar o planeta, terá então de passar à margem da democracia? Como? Manu militari? Ou, em alternativa, para respeitar a democracia, deixa-se o planeta “afundar”? Fiquei a pensar nisto.