sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Um país que não existe (1)

Ainda hei-de viver num país em que possa criticar abertamente o comportamento político e a atitude pública de uma pessoa negra, com a mesma força verbal com que critico um branco, sem que ninguém me venha lembrar que essa pessoa é negra. Mas esse país ainda não existe.

10 comentários:

Anónimo disse...

Tem toda a razão caríssimo embaixador! Onde está a liberdade de expressão sem que se coloquem imediatamente rótulos na tentativa de silenciar...., onde esta o PORTUGAL de pessoas livres que de forma solta podiam expressar a sua opinião e até as suas mágoas sem que fossem categorizadas de imediato? É caso para dizer basta, enquanto é tempo!

Luís Lavoura disse...

Repare que escreveu "uma pessoa negra" e "um branco". Já aqui temos uma diferença.

netus disse...

Bom dia. Assino por baixo.
António Cabral

Anónimo disse...

Mas quem lhe lembra que a mulher é negra, é quem sente culpa de ser branca e de ter feito parte de um povo "colonialista", que são complexos de esquerda. Mas aí não há nada a fazer, é aguentar...

Jaime Santos disse...

O estatuto de vítima, seja da mulher, do negro ou da negra, etc, não concede, evidentemente, nenhuma espécie de salvo-conduto relativamente à qualidade da ação.

A competência, o carácter, a razoabilidade, etc, são todas características do indivíduo e não do género, ou do grupo étnico ou do que seja (de outro modo, estaríamos na presença de conclusões misóginas, racistas, etc).

O problema é que, porque não vigora de facto a igualdade entre todos e a bagagem histórica é a que é, quem se insere num desses grupos provavelmente demonstra, com alguma razão, uma suscetibilidade particular à crítica (é fácil bater em quem está por baixo).

Pela mesma razão, fazer humor com a atitude de um homem branco (e bronco) como Trump não coloca as mesmas questões que colocaria se se tratasse do seu antecessor (mas também seria difícil fazê-lo, porque Obama era uma pessoa educada e não de todo dada à fanfarronada).

Ora, constatar isto nada tem que ver com pretensos 'complexos de Esquerda' e simplesmente com o reconhecimento de que o mundo e o País são o que são, e que tem a História que tem, incluindo de opressão colonial, por muito que haja quem procure negá-lo e vir falar da nossa 'missão civilizadora' (chegar, escravizar gente e fazê-los suportar uma viagem à qual metade não resistia não me parece muito civilizado, desde logo).

O tal País que o Sr. Embaixador deseja que existisse seria naturalmente um País onde seríamos todos iguais em deveres e em direitos, não apenas nos formais.

Esse País, de facto, infelizmente, ainda não existe.

A. Neves disse...

Concordo em absoluto, era tempo de alguém dizer isto.

Reaça disse...

Õ Ventura já vive nesse país, mas é preciso alguma coragem

Anónimo disse...

Ventura criticou Joacyne, porque não é de esquerda. Talvez o tenha feito por ser "racista" e de direita. Os outros que são de esquerda abstêm-se de criticar Joacyne, porque ela, apesar de impreparada, é de cor. É este o país que existe. E a culpa não é da direita...

Jaime Santos disse...

Ventura não se limitou, como fez o Sr. Embaixador, por exemplo, a criticar Joacine Katar Moreira, o que seria inteiramente legítimo, muito embora eu compreenda porque pessoas como ela reagem mal a críticas à sua ação política, vide acima.

Ventura mandou uma Portuguesa negra e oriunda da Guiné-Bissau para a terra dela. E isso faz toda a diferença.

Teria ele feito a mesma coisa com Assunção Cristas, branca e nascida em Angola, como perguntou o Daniel Oliveira? Claro que não, isso ter-lhe-ia custado votos, desde logo.

O chico-esperto Ventura defendeu-se dizendo que se tratava de ironia. Pois, já estamos muito habituados a estas ironias da parte de Trump, Farage, etc, etc, que atiram a pedra e escondem a mão. Que diabo, os racistas dos anos 30 ao menos assumiam-se como tal. Estes para já têm medo e vergonha, o que é um bom sinal...

João Cabral disse...

Um "preto", senhor embaixador. Não tenhamos medo das palavras se elas reflectem a realidade, e a alma que as profere nada tem do que querem impingir a essas palavras. Um ateu não pode dizer "valha-me Deus"? Pode e deve.