quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Malaca Casteleiro


Malaca Casteleiro foi um distinto linguista e professor universitário, com uma notável carreira académica, reconhecida pelos seus pares. 

Indicado pela Academia das Ciências de Portugal, foi o responsável, a par dos académicos brasileiros Antônio Houaiss e, posteriormente, Evanildo Bechara, pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa atualmente em vigor.

Malaca Casteleiro morreu há dias. Sabemos que o Acordo Ortográfico tem os seus detratores, pelo que se entende que, na hora da morte daquele professor universitário, estes não tenham querido saudar a sua personalidade, muito embora tivessem a obrigação de entender que o trabalho e a obra de uma vida não se resumem à intervenção numa negociação específica. 

Mas foi absolutamente miserável a campanha de ironias e expressões insultuosas que surgiu pelas redes sociais, na sequência do desaparecimento de Malaca Casteleiro, provando, se necessário fosse, que a baixeza reles está no ADN de alguma gentalha que por aí anda pelas caixas de comentários.

6 comentários:

Anónimo disse...

Correto e afirmativo. Mas, pior do que o mau gosto, é a estupidez que, trinta anos depois, continuarem a alimentar a esperança na extinção do AO, quais sebastianistas à espera do redentor da língua.

Entretanto, o idioma abastarda-se todos os dias com os estrangeirismos importados pelos detratores do AO.

Luís Lavoura disse...

Anónimo,

a estupidez de, trinta anos depois, continuarem a alimentar a esperança na extinção do AO, quais sebastianistas à espera do redentor da língua.

Entretanto, o idioma abastarda-se todos os dias com os estrangeirismos importados pelos detratores do AO.


Excelente, certeiro comentário. Concordo 100%.

João Cabral disse...

O AO90 entrou em vigor em Portugal em 2015, mas há quem venha com contas de 30 anos... Assim parece a coisa mais grave, não é? Mas se se querem números, vale dizer que a ortografia anterior vigorou uns 70 anos. Assim já vemos quem fica mais bem posicionado.
Já quanto a estrangeirismos, vejamos o autor deste blogue, defensor do Acordo, mas useiro e vezeiro de estrangeirismos, tantas vezes desnecessários e que já ataquei aqui. As duas opiniões acima caem pela base.
Quando a Malaca Casteleiro, que descanse em paz, e como escreve hoje Nuno Pacheco no Público, «era preferível que tivesse ficado o homem e morrido a “obra”». Não dê tanta importância aos dislates nas redes sociais, senhor embaixador.
Acrescento ainda que, até ao dia de hoje, nem Governo (sobretudo António Costa no seu Twitter) nem Academia Brasileira de Letras, dois grandes apoiantes do famigerado Acordo, evocaram o nome de Malaca Casteleiro. Os insultos vêm de onde menos se espera.

Anónimo disse...

Ainda bem que o anti-AO diz que a anterior ortografia esteve em vigor durante 70 anos. Foram 70 anos durante os quais ninguém se importou com todas as incongruências da norma vigente. Os mesmos a quem, hoje, tanta confusão faz a falta de acento num "para", nunca se importaram com a perda dos acentos circunflexos que colocaram tantas palavras com grafia igual apesar de serem lidas de forma diferente...

2015? O AO é de 1990 e já está em uso corrente muito antes de 2015. Mas o que interessa isso quando o que importa é a birra?

João Cabral disse...

Foram 70 anos de uma norma estabilizada e coerente em que ninguém punha a hipótese de uma ilusória unificação (que nem se verifica actualmente), até que em 1990 uns quantos acharam que poderiam resolver uma divergência de normas com quase um século e irreversível. E décadas em que o autor do comentário precedente nem cogitava mudar a forma de escrever. De repente, alguns acharam ter visto a luz. Ele há gente para tudo.
Curiosa a menção do acento em "pára" que até a maioria dos apoiantes contesta. Alguns vêem decididamente luz a mais e ficam encandeados. Também não deixa de ser curioso que se apontem incongruências na norma anterior, mas na nova elas sejam ignoradas ou até valorizadas, conquanto tenham aumentado exponencialmente. Curiosíssimo. Isto quando se sabe também que essa suposta simplificação não trouxe benefícios nenhuns, pelo contrário. Basta ver as confusões que por aí pululam.
O Estado só começou a aplicar o AO90 em 2011 e este só entrou efectivamente em vigor em 2015, depois do período de transição, em que até nas escolas se escrevia das duas formas. Haja seriedade nos argumentos, nem birras justificam manipular números, como já se viu desde o comentário inicial.
Terminando, de referir que há inclusive participantes activos na elaboração do AO90 que o rejeitam actualmente, como é o caso do professor angolano Filipe Zau, sempre com base em critérios técnicos. Só isto deveria pôr determinadas cabeças a pensar.

Anónimo disse...

Será que quem defende o acordo ainda não percebeu que o facto de o mesmo tornar facultativo o acento no pretérito perfeito do indicativo dos verbos com terminação –ámos faz com que quem "sabe pouco" apenas fale no presente (estudamos por estudámos, passamos por passámos p. ex.)?? Então entre políticos e jornalistas é a bandalheira total - e o povinho vai atrás, que os senhores doutores que falam na televisão é que estudaram e é que sabem…
Com todo o respeito pela pessoa de MC e outros tantos profs. linguistas, bem poderiam limpar as mãos à parede.