sábado, 8 de fevereiro de 2020

Eu, o João e a Lampreia


A revista “Sábado” desta semana, em três belas páginas, explica que onde se come uma bela lampreia é na “Imperial de Campo de Ourique”. Onde é? Na rua Correia Teles, 67.

Ora eu, para mal dos meus pecados (por muito poucos que eles sejam, como é sabido!), não aprecio por aí além o ciclóstomo. Por esta altura do ano, sou desafiado por vários grupos de amigos para jornadas de lampreia. E lá tenho eu de explicar que o bicho nunca fez o meu género, que por isso não posso alinhar nessas alegres almoçaradas, confissão que faz subliminarmente baixar a minha cotação de gastrónomo (criada por outros, que não por mim, que sempre só me achei “gastrófilo”) e ser olhado, de forma piedosa, por esse seleto grupo de eleitos do gosto.

Mas voltemos à “Imperial”. Se fosse só pela lampreia desta época, o meu amigo João, um simpático minhoto da Barca que é dono da casa, nunca me apanhava por lá. Mas a “Imperial” tem muito mais coisas, que rodam ao longo da semana, saídas das mãos da serena dona Adelaide, trazidas às mesas pelo João e pelo filho Nuno. Ah! Quem espere luxos por ali, desengane-se: a “Imperial” é a simplicidade feita lugar.

É pelas várias propostas de cozinha tradicional portuguesa que por ali se servem, mas muito também pela amizade que, ao longo de anos, criámos com aquela simpática família, que, quase sempre uma vez por semana, por lá vamos parando para almoço (A “Imperial” só abre para jantares por encomenda, para quem esteja interessado). Jamais lá iria pela lampreia! Já agora, um aviso: se perguntarem ao João como está um qualquer prato, preparem-se para ouvir, invariavelmente, a sua expressão já clássica: “Um espetáculo!”

7 comentários:

Anónimo disse...

Quando estudava em Coimbra (ha mais de 50 anos) cumpria o ritual de comer arroz do dito ciclostomo indo com amigos margens do "bazofias" acima. Ate que...no aniversario de 1 amigo entrei na cozinha em demanda de gelo para a vodka tonica. A cozinheira de faca e aguidar amanhava o ciclostomo que se debatia mais que a traditional galinha...horror, sangue e fealdade, qual Tarantino "avant la lettre". Agssim acabou 1 grande amizade e agora nem pensar. Troco com agrado por vieiras ameijoas camarao berbigao. Sao tudo criaturas nascidas e criadas na agua. Mas ha rio e mar, como dizia o outro, ha ir e voltar! Nao voltarei NUNCA

Bom fim de semana com Imperial.

Saudades

F. Crabtree

Anónimo disse...

Tal como o Sr Embaixador e o Anónimo, prefiro moreia e pele da mesma, frita. É um manjar que há trintas e tais, um pescador me deu a provar no Algarve. Tudo o que leve sangue...lá longe. Assim como fígado, coração e restantes miudezas etc etc etc.
Uma vez fui convidado para almoçar em casa de um casal, e o prato era fígado grelhado com o habitual acompanhamento, por vergonha ( ainda hoje não sei como comi)lá "devorei" o malvado. Pensando eu que o calvário esta ganho, aparece uma enorme taça de morangos com chantily, acontece que também não gosto de morangos!!! Nem ao pior inimigo desejo uma destas.

Carlos Fonseca disse...

Gosto de lampreia. Infelizmente a minha vesícula deixou de gostar há oito anos.

Maria Isabel disse...

Nunca comi, não sei se gosto ou não. Só o aspecto me arrepia.
Nunca vou saber se é bom ou não.a fotografia da lampreia em todos os restaurantes me dá vómitos. Gostos, são gostos, mas espero nunca ter de almoçar ao lado de alguém que a esteja a comer

Maria Isabel disse...

Nunca comi, não sei se gosto ou não. Só o aspecto me arrepia.
Nunca vou saber se é bom ou não.a fotografia da lampreia em todos os restaurantes me dá vómitos. Gostos, são gostos, mas espero nunca ter de almoçar ao lado de alguém que a esteja a comer
Maria Isabel

Anónimo disse...

Como parece que a lampreia se encaminha para a extinção, é muito agradável notar que existe um apreciável numero de pessoas que não a apreciam. Ainda bem, mais sobram para quem como eu, a adora.
A reputação de "bom garfo"do Senhor Embaixador baixou uns pontos neste capítulo.

Pedro Sousa Ribeiro disse...

A lampreia ou se adora ou se detesta. Eu faço parte do primeiro grupo desde que as ia buscar a uma camioneta, estacionada no largo dos Terceiros em Braga, para serem preparadas pela minha Mãe.