sábado, 22 de fevereiro de 2020

“Les miens”



Ontem, a propósito da morte de Jean Daniel, citei por aqui o título de um seu livro. Hoje, olhando os mortos “notáveis” que este fim de semana nos trouxe, lembrei-me de outra obra desse jornalista (ou deveria dizer escritor?).

Há quem se queixe de que este meu espaço se converte às vezes num excessivo registo obituário. E quem diz isso, sem o dizer, é porque acha isso chato. Aceito o remoque mas a verdade é essa mesmo: cada vez tenho mais mortos conhecidos.

E há também quem entenda que “faltam” por aqui alguns mortos, que deixo “escapar” gente e que, numa espécie de hierarquia de destaque obrigatório de quantos se vão, isso deveria justificar uma nota.

Ora isto não é um órgão de comunicação social, ou melhor, isto é apenas um órgão de “comoção” pessoal. Por aqui vou notando algumas pessoas cuja saída da cena da vida me toca, umas vezes pela relação ou contacto que possa ter tido com eles, outras vezes pelo que representam na minha memória afetiva (e a afetividade tem dois sentidos, pelo que isso não significa necessariamente que deles goste). Outras vezes, essas notas surgem apenas “porque sim”. Tentar descortinar uma qualquer lógica definitiva na escolha do que aqui deixo escrito é, podem crer, um esforço vão.

O título do outro livro de Jean Daniel de que agora me lembrei é “Les Miens” e resume, em geral, o sentido das notas obituárias que aqui publico. Mas, aviso!, nem sempre!

(E a fotografia? Não tem nada a ver com isto, ou melhor, tem a ver com o facto de eu estar agora sentado num banco do Jardim da Parada, em frente da estátua da Maria da Fonte, uma figura do século XIX, período que, desde sempre, me habituei a ver refém de uma historiografia oportunista, com agendas que se projetam nos interesses políticos do tempo presente. E mais não digo, porque vou comer um pastel de nata à Aloma, para animar os meus açúcares)

4 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Je l’ai lu, Senhor Embaixador. Arrependi-me. Gostava mais e admirava mais Jean Daniel antes de ler o livro. Descobri-o mais narcisista que o que pensava. E alguns dos “seus” (Les Miens) nunca foram do meu agrado. E ele não os “melhorou”.
O seu Nouvel Obs naufragou…

aamgvieira disse...

Nem uma palavra sobre Vasco Pulido Valente ? O republicano não marxista nem socialista.
Percebe-se porquê.......

Jaime Santos disse...

Nem uma palavra, aamgvieira? Está lá tudo, nas entrelinhas. À bon entendeur...

Anónimo disse...

Sobretudo porque, depois de desancar nos "inglesados", iria parecer de uma suprema hipocrisia vir tecer elogios ao Vasco Pulido Valente, não é?