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sábado, fevereiro 25, 2023

"Queres ir à Livrelco?"


"Queres ir à Livrelco?" Ao ouvir a minha pergunta, colocada em tom casual, há pouco, dentro do carro, quando atravessávamos da rua de Entrecampos para a avenida da República, notei que a minha mulher olhou para mim, de viés. "Ter-lhe-á dado alguma coisa?", deve ter pensado, porque, com isto da idade, nunca fiando. Deixei de estar impávido e sorri. Ela sossegou, imagino.

A pergunta tinha sentido ser feita por ali (edifício na imagem), mas apenas nos anos 60 para 70 do século que já lá vai. Nas tardes de sábado, dessa Lisboa onde ainda se não publicava o "Expresso", uma ida à Livrelco, a cooperativa livreira universitária, era um programa tradicional. A pequena diferença é que então se estava em ditadura, provavelmente tínhamos acabado de almoçar, porque um dia não eram dias, no Retiro do Quebra-Bilhas ou no Chico, o dos tabiques, no Campo Pequeno, eu andava com o "Diário de Lisboa" debaixo do braço, íamos lanchar à Granfina ou à Suprema. Ah! E não estávamos casados e éramos ligeiramente mais novos. Apenas isso.

A Livrelco, onde belas novidades livreiras nos apareciam, muitas vindas de França, a preços a que dificilmente chegávamos, não sobreviveu aos tempos e aos modos que por aí vieram. Nem sei se isso foi bom ou se foi mau. Foi a vida. E não foi pouco.

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