Quantas vezes o Bloco me irritou! Quantas vezes clamei que, no fundo, ele acabava a fazer o jogo da direita. Em 2011, ao vê-lo mão na mão com essa direita, disse do Bloco cobras e lagartos. Em 2015, quando aderiram à ideia da Geringonça, moderei essa minha irritação. Ela regressaria em 2021, quando o Bloco fez uma birra orçamental, que fez correr um risco desnecessário à esquerda. Mas voltei a moderá-la quando esse percalço político ofereceu ao PS, de bandeja, uma maioria absoluta.
Em todo esse percurso do Bloco esteve Catarina Martins. Uma mulher determinada, que sempre me pareceu sincera e empenhada nas soluções que propunha, estivessem elas certas ou erradas.
Catarina Martins entendeu agora encerrar o seu ciclo de liderança, primeiro num dueto que deu ares de harmónico com João Semedo, depois a solo. Desejo-lhe as maiores felicidades pessoais.
