O IPMA tinha-nos vigarizado a todos. 20° era a temperatura prevista. Com algum sol. Convictos de que vinha aí um domingo a preceito, trajados "light", rumámos de ferry, para almoçar em Soltróia. Em casa de amigos, que é onde melhor se come. E comeu. E bebeu. Mas sem réstia de sol. E com vento. E algum frio. Lá fora, claro.
Soltróia - Tróia com sol, deve ser o significado - é um bairro construído à beira-mar. Não ouso transcrever aqui o poema de Bocage "Em Tróia, de Setúbal bairro inculto...", porque este é um espaço de famílias e o Google suspender-me-ia, pela certa.
Passo em Soltróia duas ou três semanas em cada Verão. O que mais me agrada ali é o facto de ser quase um deserto de comércio e, em especial, de restaurantes, sem o mínimo de social publicável, sem notáveis notados. Só o mini-mercado do Ursino, o café do Pereira e o errático Beach Club, além da rulote das farturas e, na praia, as bolas de Berlim do João.
E é tudo mais do que suficiente, porque é exatamente a escassez de comércio a chave do imenso sossego do lugar. Na "off-season", até essas coisas desaparecem, atirando quem lhes estranhe a falta para a alegria saloia da marina de Tróia ou para a finura das lojas da Comporta, aqui nas mãos da caixa registadora do Gomes, ou para os infernais mosquitos da Carrasqueira, onde me dizem que o Rola deixou de cantar.
Era assim que tudo estava hoje, lá em Soltróia. Com sol, claro, teria bastante mais graça. Mesmo assim, com lareira, foi um pretexto para um refúgio nas vitualhas, nuns álcoois a preceito e numa bela conversa de bons amigos. É o que se leva desta vida, essa é que é essa!
