terça-feira, fevereiro 21, 2023

Há 10 anos...

Faz hoje precisamente 10 anos, publiquei neste blogue o que então designei por um "post impopular". E tenho a certeza de que, nos dias de hoje, continua a ser. Aqui fica:

"Acho triste o contentamento que anda aí em certas hostes com o achincalhamento público e o boicote da palavra de um membro do governo. Em democracia, o direito à manifestação e até à indignação tem sempre de ser compatível com o respeito devido às figuras institucionais e, em particular, o respetivo direito à palavra. Por muito que alguns não gostem de certas autoridades da República, a verdade é que se trata de personalidades que assumiram os cargos que hoje ocupam com plena legitimidade. As formas públicas de expressar o legítimo descontentamento têm assim de ser compatíveis com o quadro de deveres que a democracia impõe.

Sei que há quem não goste de ouvir isto embora desconfie que, se tocasse "aos seus", a posição dessas pessoas seria diversa."

A que é que isto se referia? Às "grandoladas" com que eram recebidas em público as aparições de Miguel Relvas, um ministro do "infamous" governo de Passos Coelho contra o qual a esquerda particularmente se assanhava. O ciclo político já mudou, há muito, mas eu continuo a pensar exatamente o mesmo que então pensava. E a dizê-lo, arrostando, com gosto, com a impopularidade do post. 

7 comentários:

Anónimo disse...

Permita-me senhor embaixador mas, concordando com o que diz é necessário que o mesmo se aplique nos dois sentidos. Por outro lado importa sempre frisar e sublinhar que o governo Passos Coelho com todos os erros que possa ter cometido, por um lado e, exatamente à luz do que refere merece o respeito devido porque legitimamente foi eleito. Por outro lado, sucede um período horribilis de uma governação socialista que a todos nos envergonha! Bem haja e um bom dia de carnaval.

manuel campos disse...


Não podia estar mais de acordo com o que diz, sempre me indignei com tudo o que me cheirasse a facciosismo politico (e não só, mas é desse que aqui se fala).
Foi muitas vezes feito o aproveitamento de algumas "bandeiras" das quais a música de José Afonso foi a mais utilizada, o que só prova que a essas pessoas não lhes passava pela cabeça algo que alguns de nós sabíamos, o grande mas discreto orgulho que ele sentiu por a sua musica ter sido o "sinal" para o movimento militar e o total repudio que ele decerto sentiria pela utilização abusiva e oportunista dessa musica para fins, muitos deles profundamente anti-democráticos e simplesmente oportunistas.
E mais a mais quando esse facciosismo vem e vinha de quem se achava com superioridades morais em termos de legitimidade democrática o que, como se sabe, não existe, a democracia não tem "donos" ou deixa de ser democracia, é outra coisa qualquer e isso não me interessa.

Obrigado por repor aqui este seu texto, que só confirma a justeza de "andar por aqui" (mesmo quando fico "zangado" uma vez ou outra...).


João Cabral disse...

Ui se fosse agora...

Anónimo disse...

O Senhor Embaixador tem uma visão muito institucionalista das coisas. Fruto da idade, da geração ou da função. Nem todos têm essa visão.

manuel campos disse...


O nosso anfitrião que me perdoe mas não resisto, já se sabe que sou cordato qb e bruto qb, isto para além de nunca me apresentar como um perfeito desconhecido por aqui.

Portanto solicito o mais delicadamente que seja ao "Anónimo" das 15.08 que me diga qual é a sua visão, já que se deu ao trabalho de nos vir informar do que é do mais óbvio que há e que todos sabemos desde pequeninos, a saber, que os 8 mil milhões de habitantes do planeta não têm todos a mesma visão e que isso é "Fruto da idade, da geração ou da função" de cada um desses 8 mil milhões.

Anónimo disse...

Bom dia, Manuel Campos. As "grandoladas" ou outras interrupções de discursos de políticos, são comuns noutros países da Europa. Se assistisse às reuniões municipais em Inglaterra, por exemplo, iria ficar escandalizadíssimo. Estou a dar-lhe o exemplo da Inglaterra, para que perceba melhor... Não vale a pena sermos tão pomposos com essas coisas.

manuel campos disse...


Bom dia Anónimo das 10.24

O Anónimo não sabe o que conheço ou deixo de conhecer, parece-me portanto muitíssimo pomposo da sua parte vir aqui dizer que eu ia ficar escandalizadissimo com o que quer que seja, esse ar de "saber tanto dos outros que não conhece de sitio nenhum" não tem grande logica.
Dar o exemplo de Inglaterra para que eu "perceba melhor..." é curioso porque eu até no Japão vivi, tive filhos agora com 50 e 51 anos a viver um pouco por toda a parte (incluindo na Grã-Bretanha toda), quando se dizem essas coisas fica-se logo a perceber que o mais provável é que só conheça esse exemplo.

Há muito pouca coisa que me escandalize e ando aqui a escrever muito texto e há muito tempo para que, quem venha aqui com alguma frequência e me dê alguma atenção, se lembre que eu era 2º comandante de uma Companhia muito "original" na mesma noite em que muitos dos que cantam "grandoladas" se afanavam a queimar as fardas da Mocidade Portuguesa (e que eu ainda sei quem são muitos deles, porque me apareceram depois a pedir "atestados" de anti-fascistas de longa data).

Como Anónimo que é não lhe podemos seguir uma linha de pensamento por aqui, não sabemos se cá veio ontem ou vem cá todos os dias, os Anónimos existem e merecem resposta como pessoas, mas actuam de forma pouco correcta perante quem dá a cara, mesmo com um nome "falso" poderiam permitir um seguimento de raciocinios e de coerências desde sempre a que se preferem furtar â partida.

Portanto vir aqui dizer que "O Senhor Embaixador tem uma visão muito institucionalista das coisas. Fruto da idade, da geração ou da função. Nem todos têm essa visão." é o que eu chamo dizer banalidades com ar pomposo (lá está o pomposo!).
Não adianta nada de nada, é só dizer algo do estilo "estou aqui, não tenho nada de novo para vos dizer, atiro uma boca para o ar, vou-me já embora, ninguém sabe quem eu sou e porque o digo".
Afinal sabe: em Inglaterra fazem isso (grande novidade para mim...).

Como nota final acho que devia rever o conceito de "institucionalista" pois me parece que ainda está agarrado aos velhos conceitos pré anos 90, os quais têm vindo a evoluir muito desde aí e já lá vão muitos anos.
É só uma opinião que lhe dou, não o conhecendo nem ao seu pensamento seria ridiculamente pomposo da minha parte achar que desconhece tudo o que eu conheço.

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