domingo, janeiro 15, 2023

Tenham juízo!

Vamos a ver nos entendemos: mudar o hino é uma perfeita insensatez - e estou a ser educado. Depois vem a bandeira, não é? E o nome do país? Não lhes parece comprido demais? Parece haver quem pense que a atual geração ”vê” mais do que todas as que a antecederam.

7 comentários:

manuel campos disse...


Com isto do futebol ter posto toda a gente a cantar o hino não é ideia para ír muito longe, ainda se arranjavam aí umas guerras valentes que nos iríam fazer ter saudades da suposta letra agressiva do nosso hino.
Já em 10 de Junho de 1997 o António Alçada Baptista tinha vindo com essa ideia, já lá vão quase 25 anos e na altura era mais fácil, ninguém o sabia de cor, muito menos o cantava em lágrimas a olhar para o televisor.
De vez em quando há quem queira ficar na História como precursor de algo que nos quer convencer ser essencial para nos unir a todos, agora é que é, como se isso passasse por mudar símbolos com 132 anos (o hino é de 1890).
E há quem aproveite a ideia para se mostrar muito evoluído e nos afiance que estamos errados, atirando-nos com os habituais anacronismos de quem tem pouco respeito por um passado que, nunca por nunca, pode ser visto com os olhos de hoje.
Mesmo que recente está aí, também somos a nossa memória e essa é feita do bom e do mau, não se apaga o que convém a um ou a outro sob pena de, em vez de unir, se desunir ainda mais .
Ora as "armas" a que se recorre podem ser muitas e os "canhões" que se combatem também podem ser muitos, são palavras que podem ter um significado simbólico em quase todos os aspectos do nosso quotidiano.
É só fazer um esforço de paz na cabeça de cada um.

manuel campos disse...


Estava agora a pensar no refrão de “La Marseillaise”.

“Aux armes, citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons!
Qu’un sang impur
Abreuve nos sillons!”

Ao pé deste e de outros por esse mundo fora, o nosso é quase uma “lullaby”.

Anónimo disse...

Tem toda a razão senhor embaixador. Haja bom senso!!!

João Cabral disse...

Senhor embaixador, o problema é mesmo esse, é que não vêem um palmo à frente do nariz, por isso acham que tudo vêem. Mas não de agora, já há uns anos Alçada Baptista propôs coisa semelhante.

José disse...

Imbecis, idiotas e invertebrados toda a vida abundaram por aí. A diferença está em que, hoje em dia, por causa das redes sociais e da voragem mediática, qualquer badameco que arrote uma posta de pescada, inicia uma "polémica".

Infelizmente, as pessoas à volta, que são incomodadas pelo hálito e som dos asnos a zurrar, em vez de contarem até dez e desejarem que os quadrúpedes se calem, ainda se entregam a discutir as notas e tom em que as animalárias expressaram a sua burrice como se delas fosse de esperar qualquer coisa que merecesse ser discutida.

Quanto mais falarmos deles, mais eles acham que vale a pena bolçarem alarvidades.

maitemachado59 disse...

JOSE

tUDO BEM, DESDE QUE NAO SE INSULTE OS AZNOS OU OS INVERTEBRADOS

maitemachado59

Carlos Antunes disse...

Caro Embaixador
Claro que o bom senso que sempre preside às suas análises, me leva a concordar inteiramente quando diz que «mudar o hino se trata de uma perfeita insensatez».
Na verdade, parece que Henrique Lopes de Mendonça, o autor da letra original, tinha em vista um hino de protesto contra a capitulação de D. Carlos face ao “Ultimato Britânico” – em que o governo britânico contornou o Tratado de Windsor (1386) a mais antiga aliança diplomática em vigor, quando Portugal, por ocasião da Conferência de Berlim, apresentou o “mapa cor-de-rosa” reivindicando o território entre Angola e Moçambique que colidia com o expansionismo do colonialismo inglês, que sob a égide de Cecil Rhodes e da sua “British South Africa Company”, nos obrigou a abdicar do “mapa cor-de-rosa”, para a realização do seu sonho de controlar a espinha dorsal de África, com a construção da linha de caminho-de-ferro que ligaria o Cairo no Egipto ao Cabo na África do Sul – e daí, que a estrofe mais forte apelava à mobilização contra os falsos amigos ingleses: “Às armas, às armas, contra os bretões (não os Bretanha francesa, mas os ingleses da Grã-Bretanha) marchar, marchar!”
Instaurada a República, foi retirada do hino a referência à nossa justa exasperação contra os ingleses, e o melhor que se arranjou, para observar a rima, foi substituir “bretões” por “canhões”. Não foi por essa modificação dos "bretões" reconvertidos à pressa em "canhões" que se levantou então, de novo, o esplendor de Portugal. Teria sido melhor não mexer deixando ficar na letra do hino os “bretões”.
Se então o remendo foi mal feito, espera-se que os membros do “nobre povo” não se lembrem agora de mais uma alteração esfarrapada, com a eliminação de “Às armas, às armas, contra os canhões, marchar, marchar!”
Cordiais saudações

Hélder

Hélder Macedo é uma grande figura da cultura portuguesa. Fixou-se em Londres há seis décadas e aí construiu uma notável carreira académica, ...