domingo, janeiro 15, 2023

O Portugal que já não é o que era

 

É preciso já ter alguma idade para alguém se lembrar da “Ponderosa”. 

Não falo do famoso rancho da série televisiva “Bonanza”, por cá a preto-e-branco, em que o pai Cartwright e os seus três filhos, cada um com a sua ideossincrasia, revelavam um Oeste americano com uma bonomia e uma graça como, até então, o não tínhamos visto.

“Ponderosa” era também o nome, seguramente inspirado na série, de um conhecido restaurante na Estrada Nacional nº 1, na zona da Azambuja, onde, nos anos 60 e 70 do século que já vai, esteve na moda fazer uma refeição, nas idas e vindas para o Norte. Fechou, há muito. 

Em frente, também há bastante tempo, abriu um motel e mais um sítio para comer, o que por ali vier ao dente, que adotaram o mesmo nome. Não senti vontade de entrar, mas, pelo ambiente que se respirava do exterior, se há sítio adequado para afixar um calendário Pirelli dos antigos este será um deles.

O velho “Ponderosa”, de que deixo uma imagem desta tarde, terá sido, entretanto, uma discoteca. Hoje não parece ser nada, a não ser uma memória de outros tempos, de um dos muitos “lesados da autoestrada”.

9 comentários:

Flor disse...

Com essa do calendário Pirelli "mais palavras para quê". Lembro-me melhor da série do Bonanza.:)

manuel campos disse...


Para começar confirma-se que tenho alguma idade.
Também lá almocei muitas vezes, à ida ou à vinda, quando acompanhava meu Pai nalguma deslocação ao norte do País (e terei jantado outras vezes, ele era original para a época, guiava a noite toda connosco no banco de trás a dormir).
Eram aqueles tempos gloriosos em que as pessoas de Lisboa se punham a caminho do Porto pela autoestrada fora, chegados a Vila Franca de Xira perdiam-se, andavam uns 270 kms por montes e vales, estradas desertas, terras escuras e vazias e só voltavam a encontrar a autoestrada nos Carvalhos.
Nesses tempos floresciam todos os tipos de restaurantes à beira das estradas, quanto mais calendários Pirelli dos antigos (estes de agora já não davam) mais camionistas e quantos mais camionistas melhor e mais em conta era suposto comer-se.
Mas comparado com a grande maioria deles o “Ponderosa” seria, mesmo aos olhos de hoje, a modos que para o elitista.
Entretanto autoestradas, itinerários principais e complementares foram-nos matando a todos, é preciso serem muitíssimo bons para as pessoas que vão em excesso de velocidade, a fazer sinais de luzes mesmo aos que já vão demasiado depressa, perderem um bocadinho a desviar-se do caminho.
Nessa época também havia pelo caminho uns hotéis decentes e honestos onde se podia dormir.
Agora há uns motéis onde “também” se pode dormir, mas são mais do tipo das pensões “Casal venha a Lisboa” que enxameavam a Avenida Almirante Reis de antigamente.

Luís Lavoura disse...

Parece um edifício muito decente, numa propriedade murada e com algum espaço para jardim, localizada na Azambuja, que atualmente é quase um subúrbio de Lisboa. Dá para reconverter em edifício(s) de habitação.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Um grande amigo nosso, já falecido há uns bons anos, por vezes era na "nova" Ponderosa que passava uma noite romântica com alguma de entre as centenas (literalmente) de "namoradas", por vezes ascendiam ao posto de "esposas" ("apresento-te a minha mulher"), que teve nos seus 49 anos de vida.

Por falar em Restaurantes de estrada vem-me uma reportagem que vi na RTP Arquivos sobre os "Expressos Pirata", na qual a dada altura fazem uma entrevista a um dono de um Café-Restaurante algures na N1 que, de repente, fica com a família toda à volta a posar para a câmara.

Dentro de Alenquer, em Santa Catarina, havia o Robel, do qual a minha avó materna foi a "chef" durante vários anos, aliás o Café tornou-se Restaurante quando depois de ela ir para lá trabalhar.

Por falar em AEs e Vias Rápidas, ainda me lembro quando inauguraram o Troço Bombarral-Tornada do IC1 (hoje sinalizado como A8), terem pespegado um cartaz na entrada da Tornada com o batismo oficioso do mesmo troço como Variante Prof. Cavaco Silva.

manuel campos disse...


Luís Lavoura

Reconstruír um casarão que foi restaurante e discoteca (portanto com uma distribuição interna específica), desabitado há muitos anos e provávelmente com o interior num estado lamentável (ainda que o telhado pareça estar bem)?
Para viver com vista para o motel, no Km 57 e a 5 metros da Estrada Nacional nº1, que continua a ter muito tráfego em especial de pesados?
Só alguém com a sua invulgar imaginação para se lembrar disso.

Com esse dinheiro constrói-se um palacete naquela zona, em local privilegiado, com todas as comodidades a que se possa ter direito.

manuel campos disse...


Francisco Sousa Rodrigues

Há vidas em que em 50 anos se vive como se fossem 500, não só pelo que conta mas porque essas pessoas costumam ser assim em tudo o que fazem.
Mas são muitíssimo raras, a grande maioria em 50 anos não chega a viver 5.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Luís Lavoura, essa propriedade está a mais de 20 km da Azambuja.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Manuel Campos,

Bem o caso. É mesmo daquelas pessoas que fazem falta, um bon vivant com um coração do tamanho do mundo.

manuel campos disse...


Francisco de Sousa Rodrigues

Meu Pai dizía algo de equivalente, que no nosso coração cabia toda a gente que lá quiséssemos meter.

Que Praga!

Ainda bem que o jogo acabou. Estava farto de ouvir chamar Chéquia à República Checa.