A imagem de marca de Rishi Sunak era o seu sorriso. Mesmo nos tempos duros do Covid, quando por ele passaram as medidas com que o governo de Johnson tentou atenuar os efeitos negativos da pandemia na vida económica e social do Reini Unido, Sunak, para surpresa de muitos, manteve, em geral, um sorriso aberto, completado por um certo “boyish style”, até no modo desengonçado de andar.
No caminho político para Downing Street, nos últimos dias, Sunak não tinha abandonado o seu sorriso e esse seu estilo.
Isso só veio a acontecer hoje. A coreografia da sua chegada ao nº 10 foi precisa, desenhada ao milímetro. Desde o momento em que saiu do carro até que entrou na porta negra, passando por todo o tempo do discurso, o seu registo facial endureceu. O passo perdeu a jovialidade quase adolescente. Sunak ganhou ”gravitas”. Era preciso transmitir ao país um ar de Estado. O sorriso aberto podia revelar ligeireza. Como a “profund economic crisis” a servir de pano de fundo à sua ação, Sunak pôs o sorriso de lado e tornou-se mais grave. Era expectável? Talvez. O contraste revela algum artificialismo, mas, também, um certo profissionalismo.
O teatro ao serviço da política.
