O encontro na Suíça mostrou que um conjunto importante de países continua a apoiar a Ucrânia para que esta venha a obter, no termo da guerra, um resultado favorável àquilo que definiu serem os seus objetivos - recuperação das fronteiras que o Direito Internacional lhe reconhece.
A reunião também revelou que um número significativo de Estados pretende manter-se afastado da postura daquele grupo, titulado pela América e seus parceiros, que parte da assunção de que, neste conflito, a razão está toda do lado da Ucrânia e que só resta à Rússia recuar.
A Rússia deixou entretanto claro que não pretende abandonar os territórios ucranianos que ocupou, que aliás considera já constitucionalmente seus e que ainda pretende vir a completar. Moscovo quer também neutralizar a Ucrânia, impedindo a sua entrada para a NATO.
Não parece haver o menor ponto comum entre estas duas agendas. Tudo indica que apenas uma evolução da situação militar, em favor de qualquer dos lados, pode vir a mudar os termos de referência deste conflito de interesses bem desiguais.
Este não é, assim, um tempo para a paz, é essencialmente um tempo para a guerra, para o seu prosseguimento. Se, um dia, a balança militar se desequilibrar em desfavor da Rússia, alguém, em seu nome, surgirá a aventar alguma modulação dos termos do "diktat" que Putin tem mantido.
E se a Ucrânia perceber que não pode ganhar a guerra, ou que não poderá contar com apoios para a prosseguir indefinidamente, é quase inevitável que venha a ser revisitada a filosofia de compromisso subjacente ao Acordo de Minsk II e ao projeto mediado pela Turquia em 2022.