Há muitos anos (no meu caso, 57 anos!), num Verão feliz, cheguei a Amesterdão, de mochila às costas. Aquilo era então uma espécie de "Meca" geracional. Para quem tinha cerca de 20 anos, apenas a Londres dos "swinging sixties" lhe fazia alguma concorrência, embora com diferentes fatores de atração. Paris era mais "grave", pessoal a discutir "à séria", guerra e livros. À boleia desde Lisboa, sem pressas, sem datas e sem companhias precisas, saltitei então entre cidades, entre "auberges de jeunesse" e outros pousos que, às vezes, até tinham bastante mais graça e era fautores de felizes "happenings". (Voltei a repetir a experiência, uma outra vez). Aos amigos que sabia irem estar, por esses tempos, por Amesterdão, disse, antes de partir de Lisboa: "Todos os dias, às sete da tarde, vou estar pelo Dam. Aparece!". (Alguém me tinha ensinado que era assim). E, naquela semana, nos fins de tarde, sentava-me na base do monumento, à espera de tudo, conversando com quem viesse à vida. Hoje, dou agora conta, está vedado.
