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quarta-feira, maio 22, 2024

A coreografia do governo

Posso perceber que este governo queira afirmar bem a sua diferença face ao anterior. O que me parece mais misterioso é que não opte por fazê-lo adotando uma capa dialogante, não confrontacional, sem arrogância, correspondendo à escassez da maioria que tem na Assembleia da República.

Se assim procedesse, dando um ar, verdadeiro ou falso, de estar aberto ao compromisso, julgo que teria uma muito maior possibilidade de, um dia, poder vir a argumentar de que, não obstante toda a sua boa vontade, não consegue governar, por obstrução sistemática por parte da oposição.

O país reconheceria então que o governo se tinha esforçado, mas que a falta de uma sólida maioria parlamentar o tinha impedido de fazer melhor. E isso sublinharia melhor o contraste entre a sua postura e o comportamento "negativo" da oposição. Deste modo, se viesse a ocorrer uma crise institucional, com impacto da funcionalidade do executivo, com necessidade de recurso a eleições, o governo poderia vir a surgir como uma "vítima" aos olhos do país, com a "recompensa" que isso lhe poderia render em termos de votos numa eleição.

Por que razão o governo não se comporta de forma diferente?

Coloquei esta questão, há dias, a uma figura histórica do PSD, por quem tenho grande respeito. A sua resposta foi, no mínimo, desconcertante. Concordando comigo em que uma atitude dialogante poderia ser mais vantajosa, disse-me ser sua opinião que o PSD dos dias de hoje, naquilo que é relevante em termos de decisão política, quase não dispõe de personalidades de outro género do que as que foram aculturadas num clima de agressividade verbal, de quebra de pontes políticas, de "trincheiras" mediáticas e parlamentares. O "jejum" de poder nos últimos oito anos terá agravado esta postura, pelo que, ao lado de Luís Montenegro, há hoje um grupo de assanhados e intraváveis "jeunes loups", muitos com alguma qualidade política, mas todos marcador por essa inescapável atitude "guerrilheira". O PSD do passado, na perspetiva dessa figura, já quase não existe e, em especial, não tem influência na condução do partido. Mesmo o atual governo parece ter sido escolhido para fazer uma política assim, mantendo esta atitude como doutrina.

Será mesmo assim?

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