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segunda-feira, abril 26, 2021

Lola


Lola é o nome que foi dado, sabe-se lá por quem, a uma tempestade que, por estas horas, está a cair, a rodos, sobre Lisboa.

As gerações atuais talvez o desconheçam, mas houve longas décadas em que as noites, em alguns lugares da cidade, eram animadas por umas jovens espanholas que, para finalidades tarifadas, “por supuesto”, tinham atravessado a fronteira e acabavam o seu dia a chamar “cariño” a uns cavalheiros abonados, cansados do serralho familiar. Havia então o mito estatístico, quiçá exagerado, de que uma em cada três dessas senhoras dava sempre pelo nome de Lola.

Já nos tempos do Eça, como poderão verificar, isso se passava assim e um cronista da vida noturna lisboeta mais contemporânea, o humorista José Vilhena, encheu de Lolas as suas belas historietas - de que, infelizmente, ao contrário do escritor e diplomata, ainda não há uma edição completa em papel bíblia.

Como antigo profissional de relações externas, entendo que nunca foi feita devida justiça ao papel histórico desempenhado por essas Lolas para a promoção do bom relacionamento bilateral ibérico - ou, para utilizar o “politicamente correto” das Necessidades (onde, no meu tempo, se aprendia que a palavra “ibérico” era demasiado hispano-centrada), peninsular.

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...