quarta-feira, 28 de abril de 2021

Biden

Estou muito longe de ser um incondicional da orientação da política externa de Joe Biden - e isto é um “understatement”. Biden foi a resultante hábil de uma tática construção democrática para afastar Trump. Em condições normais, como ainda há dias li algures, nunca teria chegado à Casa Branca. Contudo, se tivermos em conta a globalidade da ação que até aqui desenvolveu como presidente, pode dizer-se, sem favor, que se está a sair bastante “melhor do que a encomenda”.

4 comentários:

Luís Lavoura disse...

Estou muito longe de ser um incondicional da orientação da política externa de Joe Biden [...] Contudo, [...] pode dizer-se [...] que se está a sair bastante “melhor do que a encomenda”.

Isto não é dizer grande coisa, se o Francisco não informar explicitamente em que é que Biden se está a sair bem e em que é que ele está a errar.

Não basta dizer genericamente que não se concorda com tudo mas que se concorda com muita coisa. Tem que se dizer explicitamente com o que é que se concorda e com o que é que não se concorda.

Eu pessoalmente, e ao contrário do Francisco, acho que Biden está a errar muito mais do que acerta. Nomeadamente, ao continuar a política do seu antecessor de hostilizar a China, acrescentando-lhe, para piorar a coisa, a hostilização da Rússia, e ao prosseguir a política do seu antecessor de impôr sanções, inclusivé extra-territoriais e financeiras, a um sem-número de pessoas, entidades e países, dessa forma diminuindo substancialmente a liberdade comercial no mundo.

Francisco Seixas da Costa disse...

Luis Lavoura. Este nao é o meu único espaco de comentário. No Observare, na TVI 24, e no A Arte da Guerra, no Económico, que anuncio por aqui, já falei abundantemente sobre isto. Não me posso repetir.

Joaquim de Freitas disse...

Li o comentário de Luís Lavoura com grande prazer.…tão acertado ele é !.

Evidentemente que não esqueço o senador que votou a invasão do Iraque, o vice-presidente que aprovou a destruição da Líbia, as campanhas de bombardeamento do seu governo no mundo, que ultrapassaram as de Bush e Clinton,.

Sim, Biden pode fazer o que quiser, ele pertenceu à Santíssima Trindade - os Estados Unidos, a OTAN e a União Europeia - ou um dos seus componentes, que sempre chegaram ao seu fim. Queriam derrubar Saddam Hussein, e logo depois ele estava pendurado na ponta de uma corda. Queriam derrubar o Talibã e, graças à esmagadora superioridade militar, isso foi feito com bastante rapidez, mesmo se o trabalho nao foi acabado.

Ela queria que o reinado de r Kadhafi acabasse e acabou em condições atrozes

Jean-Bertrand Aristide fora eleito democraticamente, mas esse negro ultrapassou suas prerrogativas e foi mandado para um exílio distante pelos Estados Unidos e pela França em 2004.

Iraque e Líbia eram os dois Estados mais modernos, educados e secularistas do Oriente Médio. Agora, podem ser chamados de Estados falidos

Estes são apenas alguns exemplos da última década que mostram como a Santíssima Trindade na qual evoluiu Biden, não reconhece nenhum poder superior e acredita, literalmente, que pode fazer tudo o que achar adequado para o mundo inteiro. Aliás já nos tinha avisado da sua intenção no dia mesmo da sua eleição.
Isto explica os insultos gratuitos aos líderes russos e chinês. E a pretensão de reinar no Mar do Sul da China, como fazem nos oceanos do mundo.

Biden é a continuação lógica do “América First” de Trump.

soudocontra disse...

Muito bem, Luis Lavoura e Joaquim de Freitas!
Não se pode compreender a atenção dada aos EUA, de forma positiva, depois de todo o mal que eles têm provocado no planeta, desde que existem: guerras e crimes políticos do pior que já se viu, como, aliás, os dois comentaristas citados aqui por mim, referiram e muito bem. E vamos ainda ver o que está para vir!!!