quinta-feira, 8 de abril de 2021

Irlanda do Norte

Para já, os acontecimentos violentos em Belfast parecem titulados por adolescentes protestantes em raiva, face ao que entendem ser uma objetiva derrota dos unionistas, que interpretam o estabelecimento de uma “fronteira” marítima entre a Irlanda do Norte e a Grã-Bretanha (Inglaterra, Gales e Escócia), indispensável para que o território se mantenha no Mercado Interno da UE (isto é, sem uma fronteira física com a República da Irlanda), como uma cedência às pretensões dos católicos que desejam a ligação à República da Irlanda. Porém, se os movimentos políticos unionistas, que já informaram, há semanas, os governos de Londres e Dublin de que se dissociavam politicamente do “Acordo da Sexta-Feira Santa” (processo de paz assinado em 1998), vierem a assumir essas reivindicações (e o surgimento de vítimas pode facilmente ser um rastilho) e a assinalar uma espécie de “nil obstat” à retoma de atividade das fações armadas protestantes que, nos últimos anos, se têm mantido em sossego, as coisas podem descambar perigosamente. É que, do lado católico, haverá um mimetismo automático. 

1 comentário:

carlos cardoso disse...

Um dos dilemas do Brexit foi: por onde vai passar a fronteira entre a UE e o Reino Unido? Lógicamente seria pela linha que separa a República da Irlanda do Ulster, mas isso criaria imensos problemas locais e ia contra o espírito, senão a letra, do "Good Friday Agreement". A alternativa era passar pelo mar da Irlanda, dividindo de facto o até então Reino Unido. Nenhuma era aceitável, como não era aceitável que não existisse tal fronteira.

O Brexit só foi possivel sem este dilema estar resolvido porque, ao contrário de Theresa May que precisava dos unionistas do Ulster para ter a maioria no parlamento, Boris Johnston tem a maioria sem eles.

Como acontece amiude com Bruxelas, a decisão foi varrer a questão para debaixo do tapete com um "logo se vê". Estamos agora a começar a ver...