Há muitos anos, fui almoçar a Sintra com uma amiga. Estávamos numa esplanada em frente do palácio da vila e metemos conversa com o dono do restaurante. No final, ele apresentou-se-nos: chamava-se Raio. Por curiosidade, perguntei-lhe se era parente do homónimo jogador de hóquei em patins, que tinha integrado a seleção nacional da modalidade que tantas alegrias tinha dado ao país. “Sou eu”, respondeu, com um sorriso.
O Raio tinha sido uma grande figura do hóquei em patins do seu tempo, oriundo da importante “escola” de Sintra, de onde saiu também o imenso (também no porte) Edgar. Ter um encontro com a história não é o termo vulgar de um almoço.
Faço parte de uma geração para a qual o hóquei em patins teve uma grande importância, como única expressão, por muitos anos consecutivos, de poder desportivo português no plano internacional. Lembro-me de como se lamentava então o facto do hóquei não fazer parte das modalidades olímpicas, onde o nosso país só ia apanhando umas medalhas “quando o rei faz anos”.
Não sei como esmoreceu o interesse por uma modalidade que já teve o país a seus pés e, confesso, não cuido hoje se saber o nome de nenhum dos nossos atuais jogadores - eu que, a certa altura, para além naturalmente de algumas equipas nacionais, sabia “debitar” de cor toda a seleção espanhola nossa adversária: Zabalia, Orpinelli, Boronat, Puigbó e Gallen!
Prova provada disto é que, ontem à noite, não me levantei uma única vez da Mesa Dois do Procópio, onde estava com amigos a brindar (talvez) ao início do fim de semana, para ir ao pequeno aparelho de televisão ver a evolução do resultado do Espanha-Portugal em hóquei em patins. O Carlos, por detrás do balcão, e o Luís, no apoio às mesas, iam-me informando sobre o que acabou por ser a “derrota de Castela”... na Catalunha. Fiquei contente, mas não fiquei eufórico como me sentiria no passado.
