segunda-feira, 1 de julho de 2019

Blake and Mortimer


Os leitores deste espaço já devem estar fartos das minhas “declarações de amor” à banda desenhada elaborada por Edgar P. Jacobs (leia-se à francesa), o genial autor belga, desaparecido em 1987, criador de algumas das mais importantes obras da escola belga do género. 

Após a morte de Jacobs, com maior ou menor talento, alguns outros tentaram prosseguir as aventuras de “Blake & Mortimer”. Tenho em casa tudo isso, sem a menor falha: os volumes editados por Jacobs, bem como os das sequelas que têm vindo a ser publicadas, mesmo as que seguem um registo humorístico discutível. E, claro, ao longo dos anos, acumulei muita livralhada sobre a obra de Jacobs.

Há dois dias, no aeroporto de Bruxelas, para minha surpresa, descobri que uma nova obra, de autores de quem nunca tinha ouvido falar, acabava de ser editada. Trata-se do “Le Dernier Pharaon”. Por lá andam, claro!, o impecável oficial Blake e o cientista Mortimer, essa dupla que me encanta desde a minha infância. Para os iniciados, aviso que, nesta nova aventura, não surge o terrível Olrik.

O traço deste trabalho, com laivos próximos de uma BD mais contemporânea, afasta-se bastante, e pela primeira vez, ao estilo de Jacobs, mesmo o dos seus seguidores, que sempre cuidaram em imitá-lo. O resultado é uma obra que não deixa de ser surpreendente, de um modelo inesperado, onde há mesmo um “regresso” altamente imaginativo a essa glória da BD que é “O Mistério da Grande Pirâmide”, numa teia ficcional notável. Para não revelar muito, apenas direi que Bruxelas e o seu Palácio da Justiça são o centro geográfico essencial deste novo trabalho sobre a dupla “maravilha”, a quem o mundo muito “deve”. Por mim, gostei da experiência, mas tenho dúvida de que os fãs mais clássicos de Jacobs a apreciem.

4 comentários:

dor em baixa disse...

Banda desenhada com heróis era a minha leitura preferida em miúdo e adolescente. Até que me apareceram os super-heróis, homem-aranha, homem-de-borracha, super-homem. Fechei esse livro e nunca mais abri outro de BD.

Anónimo disse...

Caro Francisco,

Abri, folheei, não li e não gostei...

Um abraço

JPGarcia

César disse...

Caro senhor embaixador,
Mesmo fugindo à essência do autor de Blake & Mortimer, os n/s heróis - de quem sou também um indefectível fã - na hora da verdade nunca esquecerão a melhor das armas de defesa: «Por Hórus, detém-te!»...
Sempre a considerá-lo,
César
(do blog. ALFOBRE)

Anónimo disse...

boa noticia
não li o livro e estou agora a tomar conhecimento da sua edição, mas, quanto a mim, Schuiten é um dos desenhadores de bd que mais aprecio - ver livros editados com o seu compatriota Peeters.
se o argumento tiver a mesma qualidade...

rui