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sábado, março 14, 2026

"One point down"


Percebi que o telefonema, que há pouco recebi, tinha sido suscitado por um post que aqui coloquei, em que mencionei uma breve hospitalização por que passei. Já quase me tinha esquecido dessas horas "de molho" (como o meu pai designava estar de cama, por motivo de saúde), ocupado que estava em garantir uma mesa num bom restaurante, onde vou jantar neste sábado.

"Já vi que não seguiste o conselho daquele nosso amigo do "one point up"!" Percebi logo que o meu interlocutor se referia a uma pessoa, infelizmente há muito desaparecida, que tinha umas manias um tanto bizarras.

Um dia, vi chegar essa pessoa ao escritório, muito pálido e perguntei-lhe se se sentia bem. Não obstante ser por demais evidente que estava com problemas de saúde, disse-me: "Estou lindamente, sinto-me mesmo muito bem", caindo depois, numa evidente exaustão, sobre um sofá. Calei-me. A diferença de idades e a falta de confiança não me permitiam desmontar aquele teatro. 

Passaram uns tempos e os papéis inverteram-se. Eu estava com uma imensa dor de cabeça, talvez mesmo febril, e referi, em frente a ele, que me me sentia pessimamente. 

Com um sorriso, num argumentário que casava bem com a sua atitude anterior, ele sentenciou: "Nunca diga isso! Nunca deixe transparecer perante outra pessoa que tem uma fragilidade, em especial de saúde. É que essa pessoa, muito provavelmente, está sem padecimentos, o que imediatamente o inferioriza a si. Porque, ao pressentir que você tem um problema, ele sente-se logo superior. E nós, nas nossas relações humanas, temos de fazer um esforço para estar sempre acima dos outros". E concluiu com uma máxima em inglês que nunca mais esqueci: "If you are not one point up, you are one point down" (Se você não estiver um ponto acima, ficará um ponto abaixo).

Achei aquilo uma imensa patetice, em si mesmo um sintoma de inferioridade, e só lho não disse logo ali porque se tratava de uma pessoa muito mais velha, a quem devia respeito. Aliás, mesmo que tentasse seguir o conselho, eu nunca o conseguiria: sendo um assumido hipocondríaco, falar das minhas doenças é um hóbi que, de quando em vez, não dispenso… mesmo que, por essa razão, me arrisque a ficar logo um ponto abaixo de alguém que, “são como um pero”, me esteja a ouvir!

"One point down"

Percebi que o telefonema, que há pouco recebi, tinha sido suscitado por um post que aqui coloquei, em que mencionei uma breve hospitalização...