Fez agora 50 anos, não vi em direto a descida do homem na lua, com o José Mensurado a comentar. A transmissão foi durante a nossa madrugada e, na manhã seguinte, tinha um exame de Sociologia que não podia adiar. Os familiares em casa de quem vivia tinham feito a noitada em frente da televisão e, quando acordei, ainda dormiam. Teria corrido bem a alunagem? Teria sido um fracasso? Ou teria acontecido uma tragédia, que muitos temiam? Entrei no autocarro 10, que todos os dias me levava dos Olivais a Moscavide, onde depois apanharia o 28 para chegar à Junqueira. Ia pouca gente, como de costume, todos com cara de nada saberem de luas. Só na paragem, já em Moscavide, é que ouvi umas conversas esparsas, de quem tinha perdido a noite para ganhar o momento. Momento que, isso sim!, eu tinha perdido para sempre. Ainda hoje me penitencio! O exame correu-me assim-assim. Se calhar, se não tivesse dormido, o resultado era igual. Perdi a lua por um 13, imaginem!
