segunda-feira, 22 de julho de 2019

A lua por um 13


Fez agora 50 anos, não vi em direto a descida do homem na lua, com o José Mensurado a comentar. A transmissão foi durante a nossa madrugada e, na manhã seguinte, tinha um exame de Sociologia que não podia adiar. Os familiares em casa de quem vivia tinham feito a noitada em frente da televisão e, quando acordei, ainda dormiam. Teria corrido bem a alunagem? Teria sido um fracasso? Ou teria acontecido uma tragédia, que muitos temiam? Entrei no autocarro 10, que todos os dias me levava dos Olivais a Moscavide, onde depois apanharia o 28 para chegar à Junqueira. Ia pouca gente, como de costume, todos com cara de nada saberem de luas. Só na paragem, já em Moscavide, é que ouvi umas conversas esparsas, de quem tinha perdido a noite para ganhar o momento. Momento que, isso sim!, eu tinha perdido para sempre. Ainda hoje me penitencio! O exame correu-me assim-assim. Se calhar, se não tivesse dormido, o resultado era igual. Perdi a lua por um 13, imaginem!

12 comentários:

Anónimo disse...

13 está quase lá, que chatice, mas, não chega.


14 parece un jeitinho...a coisa não correu assim tão bem...

Et voilà 18!

Será sindroma de agosto, em julho?

dor em baixa disse...

Também eu a perdi, a navegar a meio do Atlântico. Depois, ninguém mais lá voltou, comecei a pensar que aos marcianos em som tinham sucedido os terráqueos em imagem.

Anónimo disse...

Ora bolas; não soube medir o peso da História.
Eu tive mais sorte, senhor embaixador: nesse dia (e noite, claro) estive de oficial de dia em Chaves onde estava em preparação para a guerra colonial. Varei a noite, no bar, em frente da televisão, com alguns corajosos que souberam ler os sinais dos tempos e os ventos da História.
MB

Carlos Fonseca disse...


13 em 1969 não era assim tão mau. Os profs. eram somíticos nesse tempo.

victor disse...

Até no tin-tin se vêem as estrelas lá ao fundo...Coisa que nunca aparece, por enquanto, nas fotos NASA. Devem estar a tratar das retocagens para as gerações futuras não se desencantarem com o contraste entre a fabulosa Lua Hergé e a pindérica Lua NASA Um satélite sem estrelinhas, habitada por chimpanzés sem rosto metidos em armaduras de capacete acoplado e com cordáo umbilical... A fazerem-se de engraçados junto à bandeira do Make America Great que viram numa aula de história terráquea. E que notas terão estes jovens daqui a uns anos? Como esta febre dos Grandes Números (sempre em dívida) talvez 13 levantado a 10. O preço em bytecoins da clausula de rescisão do herói de então no futebol americano.

victor disse...

Ao Carlos Fonseca

Eram "somíticos" da real escassez ao contrário dos pródigos em farturas fabulosas que não passam de BDs...Mas as BDs é que ficam para a história das imagens, que é sempre falsificável. Tudo terá começado com o taal Trotsky que foi apagado do boneco pelo Staline e capangas da Revolução de Outubro (que foi em Novembro).

Banda in barbar disse...

por um 13 sempre foi uma positiva e a lua não foi grande coisa e repetiu-se em 2050 ou noutro ano assim

Anónimo disse...

Vi o homem chegar à lua num bar em Cascais onde não era costume ir mas nessa noite manteve-se aberto depois das 2.30 da manhã. E os boémios daquela época para lá rumaram para se poder ver na televisão a chegada à lua. Percebi durante aquela noite que a História podia avançar com este passo. Nunca pensei que o ser humano pudesse dar um salto muito grande com este acontecimento, mas.... hoje existem aparelhos electrónicos que se desenvolveram depois disto.
Enfim estava-se à espera do fim do mundo mas.... como estavam todos sentados não aconteceu nada de espectacular. Mas foi um marco.

Anónimo disse...

Treze valores numa escala de 0 a 20, ê uma boa nota. Quem a recebe não deve ficar aborrecido. Todos queremos sempre mais, é normal.

Dez valores é positiva!

Em Portugal de norte a sul é assim.
No ensino público ou privado, nos concursos públicos...

Mas há uma exceção, o concurso externo de ingresso na categoria de adido de embaixada na carreira diplomâtica. Constituído por um conjunto de provas sequenciais, sendo excluídos os candidatos cuja classificação seja inferior a 14,00 valores.
A classificação obtida na prova de língua francesa não é eliminatória, o candidato pode obter 0,00, 2,00; 3,00 ou,7,00 e segue, mas não devia...


A frustação dum candidato, que obtém 13,80 ou 13,90 valores deve ser muita.
Aconteceu, será necessária tamanha humilhação?

É minha convicção, os melhores nem sempre são os admitidos.

Valor não é sinónimo de vocação.


"Se era inteligente, não sabia.
Ser ou não inteligente dependia da instabilidade dos outros".

Lis

Lúcio Ferro disse...

É também por coisas destas que gosto muito de o ler. Bolas, perder a Lua por um 13, que sorte malvada. :(

Paulo Guerra disse...

Já me tinha esquecido como os Olivais chegaram a ser uma das maiores freguesias da Europa. Eu apanhava o 28 em Cabo Ruivo. Para a faculdade no Quelhas. Um bairro que ainda hoje é uma grande lição de urbanismo e um grande elevador social. Ministros, bairros sociais e tempo só podia dar bom resultado. O grande mistério é como é que depois dos Olivais ainda se construíram guetos como Chelas.

Anónimo disse...

Eu nao tive paciencia para esperar ate ao fim. Na ingenuidade dos meus vinte anos acabados de fazer pensava que o fenomeno se iria repetir brevemente. Ate hoje ...