Não sei há quanto tempo conheço o Luís Moita. Há muito, pela certa. Habituei-me a admirá-lo, ainda à distância, nas suas andanças pelo catolicismo crítico, pelos caminhos da luta anti-colonial, na procura obsessiva da nossa liberdade coletiva. Vejo-o depois no filme eterno do 25 de abril, com o seu sorriso bom, entre quantos então sairam da prisão de Caxias.
O Luís passou então, brevemente, por um governo, mas manteve-se essencialmente ativo nas atividades cívicas da sociedade dita civil. E dedicou-se em pleno à universidade, onde, nos últimos anos, tive com ele o gosto de privar com regularidade. As surtidas pela política, que as foi tendo, foram sempre à margem do óbvio, eram investimentos na esperança, com aquela pontinha de aventura, quase adolescente, que todos sabemos que lhe marca o íntimo.
O Luís Moita, que o calendário nos diz que faz 80 anos, é uma figura serena, doce, compreensiva, atenta aos outros como ninguém, com o entusiasmo de uma juventude que nunca lhe abandonou o espírito. O Luís Moita é meu amigo e eu tenho um grande orgulho nisso.
