quarta-feira, setembro 14, 2022

O outro lado

Ontem, ao ouvir uma intervenção, num determinado contexto, lembrei-me do famoso comentário de Margareth Thatcher de que gostaria que todos os seus assessores fossem manetas. Explicava a antiga primeira-ministra britânica: "quando me dão um parecer, para se não comprometerem, apresentam logo uma outra possibilidade oposta: ‘on one hand’ e ‘on the other hand’ “.

Lembrei-me então dos tempos em que algumas "informações de serviço" no MNE assumiam um estilo formalmente subserviente, marcado por um tom modestamente auto-dubitativo. Às vezes, o autor do texto sugeria opções possíveis, não raramente em contraste, e, no final, qual Pilatos, "lavava as mãos", com a frase clássica: "V. Exª, no seu alto critério, melhor decidirá".

Como devem imaginar, a apresentação de várias opções, sem coragem para as hierarquizar valorativamente, dá um jeitão, a quem tem de decidir...

6 comentários:

  1. Quem tem que decidir deve arcar com as responsabilidades da decisão. Não deve poder transferi-las para os seus subalternos. Se alguém aceita ser pago para decidir, então que decida mesmo. Não transfira esse ónus para os outros.

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  2. manuel campos11:57


    "Sr.(aqui título académico), no seu alto critério, melhor decidirá".


    Um tipo de frase que me apareceu pela frente muitas vezes ao longo da carreira profissional.
    À 3ª vez vinda da mesma pessoa informava-o que lhe tinha pedido parecer porque o achava útil e importante (era para isso também que essa pessoa lá estava) mas, se era para receber aquele tipo de texto, ía deixar de lho pedir pois só tínhamos perdido tempo, a responsabilidade final sendo sempre minha passava a decidir logo sózinho e pronto.
    Invariàvelmente manifestavam-se "ofendidos" e
    "desconsiderados" lá pelos corredores.
    Mas a realidade é que conheci vários (todos conhecemos) que fizeram boas, calmas e duradouras carreiras à custa destas "meias-tintas".

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  3. De acordo, em especial no último parágrafo.

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  4. manuel campos17:10


    Uma adenda suscitada pela leitura do comentário do nosso inefável Lavoura.

    O Lavoura não percebeu o que está em causa apesar de a mim o texto me parecer claro: é para isso que existem assessores normalmente bem classificados nas hierarquias, para enquadrar os assuntos sobre os quais um decisor tem que decidir e que óbviamente pode não dominar tão bem porque ninguém vai "a todas".

    E portanto "disparou" uma daquelas frases feitas próprias de quem nunca teve que tomar decisões por assim dizer "empresariais" (na profissão dele é problema que não se deve pôr), nas quais incluo as dos órgãos do Estado.

    É claro que, como disse atrás, ao decidir prescindir do assessor que não assessorava e tomar as decisões sem algum apoio técnico senão o faro e a experiência, lá me "lixei" várias vezes.
    Nada de grave visto à distância mas pouco agradável visto de perto.

    Mas como toda a vida disse, desde o mais modesto serviço à maior empresa, a responsabilidade final é de quem está acima, mesmo quando alguém abaixo extrapolou as suas competências e fez asneira da grossa.

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  5. Anónimo17:26

    Fernando Neves
    Também me lembro do tempo no M N E em que todos, o funcionário autor da informação, o então chefe de repartição e o DGrral tinham que apontar uma solução concreta, obviamente fundamentada e alertando para as possíveis consequências para o Ministro decidir.
    O pior é quando são os amadores dos gabinetes a substituir os serviços

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  6. Não se deve confundir o parecer com a decisão: o parecer deve dizer qualquer coisa como: “Há três opções, a opção A tem as consequências 1 e 2, a opção B tem as consequências 2 e 3 e a opção C tem as consequências 1 e 4.” Com esta informação aquele que deve decidir faz a sua escolha.

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