Carlos Paredes tinha acabado de tocar para Isabel II, acompanhado por Luisa Amaro, naquela noite de 1993, antes do jantar no Guildhall, em Londres. Esse era um dos pontos do programa da visita de Estado que Mário Soares então fazia ao Reino Unido.
Um grupo selecionado de entre os convidados para o jantar tinha tido o privilegio de acompanhar a rainha e Soares, numa sala mais privada, para esse curto espetáculo. Haviam sido uns minutos extraordinários, com a genialidade de Paredes a emergir nos sons que saíam da sua guitarra. Anos antes, em 1985, a rainha já tinha ouvido Paredes, pela primeira vez, na visita de Estado que fez a Portugal.
Acabada a música, toda a a gente se levantou, rainha incluída. Esta aproximou-se então de Carlos Paredes, para o felicitar. E pediu-lhe: “May I see your hands?”. Pegou nas mãos do guitarrista, olhou-lhe os dedos, e disse: “Extraordinary!”
Soares saiu com a rainha e a corte dos convidados. Eu fui cumprimentar Carlos Paredes, comentando com ele o inusitado gesto da rainha. E foi então que ouvi o compositor e genial intérprete a revelar aquela que era a sua proverbial modéstia: "O amigo acha que eu estive bem? É que não estava bem nos meus dias..."
