sábado, 26 de setembro de 2020

“Bullying” diplomático

O embaixador americano em Portugal, numa pouco profissional entrevista ao “Expresso”, enunciou algumas nada subtis ameaças ao Estado português, no caso do nosso país não alinhar na “guerra santa” contra a China, obrigando a escolher o lado dessa nova “cortina de ferro” que Washington pretende decretar pelo mundo.

O diplomata não se deu sequer ao cuidado de disfarçar o seu desconhecimento das dimensões técnicas das questões que aborda. Já teve, entretanto, a resposta devida do ministro dos Negócios Estrangeiros português.

O mundo ocidental tem poderes diferenciados a representá-lo, mas não tem tutelas a orientá-lo. A Aliança Atlântica é uma coligação de países livres cuja leitura dos respetivos interesses estratégicos tem de ser levada em conta para a definição da posição comum, que não cabe a um único país definir e, muito menos, impor. Além disso, em prioridade, Portugal coordena com os seus parceiros da União Europeia a sua relação geopolítica com países terceiros, sejam eles aliados militares de alguns, como é o caso dos Estados Unidos, sejam as relações económicas e políticas de todos, como é o caso da China. Mas, em derradeira instância, a definição da posição portuguesa é feita em Lisboa.

Ficamos a aguardar agora a reação de quantos, deste lado do Atlântico, desde há muitas décadas têm “a voz da América” como um oráculo acima de qualquer crítica. Não nos obriguem a recordar o “catering” na cimeira das Lajes.

23 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Senhor Embaixador: O Senhor sabe melhor que eu, que no momento oportuno os americanos saberão apoiar na tecla que dói no que respeita Portugal. Como não respeitam ninguém, que lhe seja submisso ou não, só o resultado conta. Veja o que disseram ao Boris Johnson para o obrigar a abandonar a 5G…

Portugal não tem a “bomba” de Kim, da Coreia, única coisa que os fazem reflectir…

Receio que à medida que o 4 de Novembro vai aproximar-se e perante o abismo que se abre aos seus pés, serão cada vez mais agressivos e perigosos para a paz do Mundo.

A classe dirigente dos EUA está a intensificar a sua beligerância em relação à China. Esta nova Guerra-fria ameaça não só a China, mas também toda a humanidade.

Estao desesperados para conter a ascensão da China, atrasar o desenvolvimento económico do país e manter o domínio dos EUA sobre os assuntos mundiais.

Se os Estados Unidos forem bem sucedidos na sua Guerra-fria, as políticas de imperialismo descontrolado sobre as pandemias, as alterações climáticas, a pobreza, o racismo e a guerra ameaçam dominar o mundo.

O principal objectivo da Guerra-fria dos EUA é tentar acusar a China como inimiga em todas estas grandes questões para a humanidade. E Portugal deve ser solidário, como todos os países lacaios, nesta operação de culpabilização.

Alguns sugerem que os Estados Unidos e a China representam um duplo mal e adoptam o slogan "nem Washington nem Pequim" não só é falso, como também apoia a Guerra-fria de Washington.

As mentiras dos EUA sobre a China são como as Armas de Destruição Maciça do Iraque

É crucial olhar como reagem os Estados Unidos e a China sobre os grandes problemas com que a humanidade se defronta.

1°- A pandemia Covid-19 está a acelerar significativamente o declínio económico relativo dos Estados Unidos em relação à China, e os ataques à China estão a acelerar ao mesmo ritmo.

Donald Trump permitiu que a Covid-19 se espalhasse na sociedade devido à insistência da classe dominante do país na necessidade de proteger os lucros em detrimento das vidas humanas. Os resultados desta política não foram nada menos que catastróficos.

Mais de 200.000 pessoas morreram nos Estados Unidos. E os americanos não lhe perdoarão no 4 de Novembro.

Na China, houve menos de 5.000 mortes. Impulsionada pelo objectivo de salvar vidas, a China adoptou medidas de saúde pública altamente eficazes, incluindo quarentenas rigorosas, afastamento social, um sistema eficaz de testes e rastreios, controlo de temperatura, máscaras e a utilização de equipamentos de protecção individuais adequados.

2°- À medida que a temperatura global sobe perto do ponto crítico de 1,5 graus Célsius, é evidente que a abordagem dos EUA às alterações climáticas está a levar a humanidade para o desastre.

Trump passou os últimos quatro anos a bloquear os progressos internacionais em matéria de alterações climáticas, começando por retirar os Estados Unidos do acordo das Nações Unidas sobre as alterações climáticas - o único país do mundo a fazê-lo.

Os Estados Unidos são hoje o maior produtor e exportador mundial de petróleo e gás.

Historicamente, os Estados Unidos foram responsáveis por 25% de todas as emissões de carbono relacionadas com a produção alguma vez emitidas.Isto é quase o dobro das emissões acumuladas da China de 12,7%.

Os Estados Unidos emitem actualmente o dobro do carbono por pessoa (16,5 toneladas) do que a China (sete toneladas).

A China dedicou enormes recursos estatais à criação de indústrias verdes, impulsionadas pelo compromisso com o desenvolvimento sustentável e pela construção de uma "civilização ecológica".

Como salienta a Agência Internacional de Energias Renováveis, a China é o maior produtor, exportador e instalador mundial de painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos eléctricos.

Grandes investimentos do governo chinês fazem das energias renováveis uma alternativa acessível aos combustíveis fósseis em todo o mundo.
Entretanto, os EUA fazem a guerra ao Mundo.

Luís Lavoura disse...

uma pouco profissional entrevista

Porque é que o Francisco acha que a entrevista foi pouco profissional?

Anónimo disse...

O Jorge "papa-hóstias" Vidrinhos não é o Embaixador do EUA, é o Embaixador do Donald Trump. Uma criatura que comprou o lugar, como todos os seus antecessores, mas que se dedica a lamber as botas ao seu patrono. Não deixará saudades a ninguém, com a exceção dos habituais idiotas inúteis que vivem das migalhas que aquela missão diplomática lhes oferece...

Anónimo disse...

Nem vale a pena comentar o post de JF, que desde que falem, ou sonhe que falem, dos EUA, fica logo agitado a disparar em todas as frentes...

o comportamento do embaixador dos EUA em Lisboa é lamentável. Um dos principais legados de TRUMP, que vai demorar muito a desaparecer, se ´que alguma vez desaparece, é a diminuição da confiança dos países aliados dos EUA. Trump tudo está fazer para destruir as alianças americanas, nomeadamente com os países europeus e é importante manter esses laços transatlânticos fortes, mas com este senhor não creio.

Ele e o seu amigo Putin querem separar e neutralizar a Europa, contando claro aí com o apoio de Pequim.

Anónimo disse...

Joaquim de Freitas,

"Na China, houve menos de 5.000 mortes". A ser verdade...ninguém fez contas.
China população - 1,413 bilhões. O vírus é bonzinho...

Ninguém os imitou. As quarentenas são para os doentes!!! PARA OS DOENTES!!!
Por lá zero SARS-CoV-2. Resto do Mundo, ocupado com a pandemia Covid-19.
Temos equipamentos de proteção, testes, sabemos mais.
É hora de usar o cérebro.

Embaixador espero desta vez não cortem a fotografia.

António disse...

Não sei se a entrevista do embaixador foi inadequada, ou se terá o propósito de deixar claro que há uma pressão, e, de certo modo, aliviar a posição portuguesa perante a China - caso opte por não utilizar a tecnologia da Huawei, e use a da mui europeia Nokia. Pelo que li, os americanos estão sobretudo a falar de questões relacionadas com comunicações, que temem poder ser interceptadas pelos chineses, via instalação de malware desde a fabricação dos componentes. Ora os americanos sabem bem como se faz, e graças a Snowden e à Wikileaks, o mundo em geral sabe que eles o fazem. Os chineses também o fazem, não são nenhuns santos. A questão não é se seremos espiados, é por quem queremos ser espiados. Eu prefiro os americanos, apesar das muitas falhas são uma democracia, e Trump passará. O presidente Xi é vitalício, o que é típico de regimes que não me entusiasmam.

Joaquim de Freitas disse...

Anonimo de 26 de setembro de 2020 às 19:01: Talvez o Sr. ignore que 60 milhões de chineses estiveram em "quarentena" na província de Wubei, particularmente em Wuhan. Ninguém entrava, ninguém saia ! E não estavam todos doentes… Talvez seja melhor procurar os seus DOENTES algures …

Ainda lá estão alguns dos meus antigos colaboradores, na Citroen, que contacto todas as semanas…

Joaquim de Freitas disse...

Anonimo de 26 de setembro de 2020 às 17:36 : Que escreve: Ele e o seu amigo Putin querem separar e neutralizar a Europa, contando claro aí com o apoio de Pequim." Quase a quadratura do circulo : Putin, Trump e Xi....Estamos tramados ...

Anónimo disse...

Via este blog o Sr. Embaixador, nobless oblige, tenta por alguma água na fervura. Mas esta, na presnte fase, é apenas uma tempestade num copito de água.
O Emb. dos EUA apenas reiterou. A realidade é que uma (5ª) Geração de comunicações móveis permite aos seus "criadores" fazerem muito mais do que simplesmente "comunicar", como muito bem menciona António às 20:40. As implicações em segurança, civil e militar, mais do que o simples domínio comercial, explicam a intransigência dos EUA, Trump ou não Trump. E explicam o vacilar de quem tem boa informação, Boris e Merckel.
Imaginem: durante um conflito, local ou alargado, só determinados indivíduos, das forças "afins", a conseguir comunicação móvel, smartfone, netes, comando à distância, etc....
Alguns clubes de futebol que o digam. Comunicar assuntos quentes e confidências via Net -seja ela de que geração for- deu no que sabemos. Aprenderam à sua custa. Só não percebe quem ...
Como é timbre o Ministro português põem-se em bicos dos pés e salta prá liça. Enfado.

João Cabral disse...

Santos Silva a fazer voz grossa aos EUA, até dá vontade de rir. Com a China, fala baixinho. Há-de chegar o momento dos ganidos.

Joaquim de Freitas disse...

Anonimo de 26 de setembro de 2020 às 20:40, que escreve: " é por quem queremos ser espiados. Eu prefiro os americanos, apesar das muitas falhas são uma democracia, e Trump passará"...Passarà ?

E se Donald Trump perder as eleições presidenciais de 3 de Novembro, mas se recusar a admiti-lo? Para o professor de Direito Lawrence Douglas, este cenário de desastre é cada vez mais plausível. E poderia mergulhar os Estados Unidos numa profunda crise constitucional.
Sempre procurou minar a legitimidade das eleições. A um mês das eleições presidenciais, face ao seu rival democrata Joe Biden, Donald Trump já está a tentar minar a credibilidade da votação, especialmente por correio. Impensável há alguns anos, a perspectiva de um Trump agarrado ao poder e ameaçar a transição democrata é cada vez mais preocupante para os observadores americanos. Mas não para o observador comentador anónimo deste blogue…
América democrática, disse? Como Luckashenka na Bielorrússia?

Anónimo disse...

Com uma rede 5G made in China, os administradores da rede, em qualqer ponto da Europa, seriam funcionários locais, nacionais.
Mas seriam chineses os administradores da rede 5G ao mais alto nível.
Elaborariam (ou já têm!) listas com uma relação entre: número do cartão <=> ID com perfil do titular.
Em caso de conflito, militares de todos os ramos das FA, todos os membros de forças policiais, autoridades civis, profissionais na área da saúde, bombeiros, membros do governo, civis com várias responsabilidades sociais.... teriam acesso, ou NÂO, a uma simples chamada telefónica, uma simples msg e controle remoto de equipamentos críticos.... Ainda não teria começado uma guerra e já estava ganha.
Nunca sentiram a angústia, o desnorte, de estar sem rede mesmo em tempo de paz?.

Anónimo disse...

A opção pelo investimento chinês por parte de Portugal foi o correto e espero que se mantenha!! Parece que os USA querem que Portugal aposte mais no investimento islâmico...que troquemos o investimento chinês pelo investimento dos Mecas...

António disse...

Caro Joaquim Freitas, é claro que Trump passará, a Constituição não lhe permitirá mais que dois mandatos. Se conseguir os dois.
Tem todo o direito a defender a China, e a insinuar que a América é tão democracia como a Bielorrússia. Mas não chega, quer a China, quer a Bielorrússia são claramente regimes totalitários. Há quem argumente que certos países só são governáveis assim, mas essa seria uma questão inadequada para um blogue.
E o meu nome é mesmo António. O que não quer dizer nada, o seu até pode ser Joaquim Freitas.

Anónimo disse...

Joaquim de Freitas;

Não ignoro.
Em janeiro de 2020, a província de Hubei, com 60 milhões de pessoas teve uma cerca sanitária.
Em Wuhan 11 milhões estiveram em quarentena. É diferente. É irrelevante se estavam todos doentes, após dois meses estavam curados, excetuando os 5.000 mortos, dizem. Mas, enquanto estes estavam confinados, muitos passeavam pelo Mundo, até pelo centro histórico de Évora, em março! Ninguém foi informado do contágio deste vírus, que foi detectado em Wuhan.

Eu não sei a origem do SARS-CoV-2...

Mr.Trump merecerá muitos adjetivos inqualificaveis, mas, foi o primeiro a fechar as fronteiras. Era tarde.

As quarentenas são para os doentes, com sintomas.
Quem estiver positivo assintomático, está saudável. Os mais velhos estão muitas vezes positivos assintomáticos. São outros coronavírus, que são detectados. Não é o SARS-CoV-2 que os mata, mas, as muitas doenças e a velhice.

O confinamento total é a única medida eficaz em pandemias.
Não pode ser, temos pena. Muitos pretendemos continuar vivos.

Anónimo disse...

Senhor Joaquim Freitas

Aprenda duma vez por todas o seguinte, os Estados Unidos da América são uma das mais antigas democracias do mundo. Terão defeitos como todas as democracias, mas são um regime democrático (é por isso que elegeram a figura que está na Casa Branca), não insista no seu erro de comparar os EUA aos países totalitários da sua preferência.

alvaro silva disse...

Há que ter atenção aos avisos mesmo que seja dum bronco, As farroncadas do nosso ministro e presidentesvalem o que valem.... Um zero á esquerda! Basta dar uma sacudidela aos Açores para os por de cócoras.

Anónimo disse...

Portugal é o elo mais fraco. E ainda por cima tem um governo de esquerda, com o apoio da extrema-esquerda, que está prestes a ser engolido por crise económica e finaceira. A situação ideal para o Trump mandar bater, sem medo de retaliações. O homem não contava era com a resposta forte do nosso PR que muito o deve ter incomodado. Já não deve conhecer o nosso MNE...

Francisco Seixas da Costa disse...

O comentador de extrema-direita que bombardeia o blogue com links para a propaganda das suas cores, bem pode gastar o seu tempo: nada sairá aqui!

Joaquim de Freitas disse...

Caro anonimo de 27 de setembro de 2020 às 14:18:Aprenda duma vez por todas o seguinte:

Vivo numa democracia que escolhi há meio século para viver. Tem as suas falhas também, mas ninguém é perfeito. Vive aqui mais de um milhão dos nossos compatriotas.

Li Monsieur de Tocqueville há já muitos anos. A América do seu livro famoso “Da Democracia na América” há muito que deixou de corresponder àquilo que ele viu e que o Senhor ainda pensa existir. É como os sonhos de Hollywood : era só nos filmes.

Hoje a América oprime, bombardeia e destrói países no mundo inteiro, lançando milhões de humanos para o exílio nas estradas do mundo, assassina por meio de drones os seus oponentes onde quer que se encontrem, impõe embargos e bloqueia economias no mundo, organiza golpes de estado, destabiliza os seus próprios aliados com a sua politica exterior, desrespeita os tratados internacionais que assina, abandona instituições internacionais que não se curvam à sua vontade, destabiliza a economia mundial com a sua politica económica interna, provocando sismos como a crise de 2008, a das subprimes, a da especulação desenfreada dos capitais, tenta sufocar concorrentes no mercado internacional, quando a sua tecnologia é ultrapassada.

Pratica chantagem vergonhosa mesmo aos seus amigos e aliados, na mira de conservar a sua predominância económica e militar no mundo.

A Índia também é uma democracia, diz-se mesmo que é a maior democracia do mundo. Mas é uma sociedade segregacionista, os párias subsistem ao lado dos mestres.

A América também é este género de democracia, com os seus párias latinos e negros, cujas vidas valem menos que outras…

A América estabeleceu uma “cortina de ferro” na Europa, do Báltico ao Mar Negro, e à volta do continente, até Lisboa. O Mar Nostrum é agora o Mar América. Nele se afogam milhares de humanos que fogem às guerras que a América desencadeou, do Afeganistão, ao Iraque, à Síria e à Líbia.

A “cortina de ferro” continua depois até à Ásia e América Latina, a tal horta de Monroe, onde proliferam os Guaido made in América e Bolsonaro integristas loucos, aliados da América.

Com as suas 800 bases militares à volta do planeta, é realmente uma cadeia de democracia na qual a América impera.

Não temos a mesma visão da democracia nem da América. Esta conheço-a bem, por dentro e por fora.

Não trocaria a França pela América, nem pela China nem pela Rússia. Mas admito que estes dois países nunca me impediram de trabalhar no mundo. Mas a América, sim. Aqueles dois contratos Renault e Peugeot no Irão, não foram os chineses nem os russos que me impediram de os assinar…Foi o Império.

O Senhor vive fora do Mundo real.

Corsil Mayombe disse...

E o sargentão Freitas, vive feliz e contente fora de Portugal.
Sortudo !

Joaquim de Freitas disse...

Corsil Mayombe: Se a sua cultura militar lhe permite, deve conhecer a resposta dum militar francês ilustre aos subalternos sem imaginaçao: O militar chamava-se Cambronne...

Corsil Mayombe disse...

Joaquim de Freitas:

O CÓDIGO DE CONDUTA não me permite(em espaço público) "une réponse approfondie",ao
seu comentário de Cambronne.

Cordiais e PATRIÓTICAS saudações.