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sexta-feira, setembro 11, 2020

11 de setembro, sempre!

Em 11 de setembro de 2001, eu era embaixador junto da ONU, em Nova Iorque A Assembleia Geral das Nações Unidas, cujos trabalhos deveriam iniciar-se no dia seguinte, sofreu uma forte perturbação e só se organizou quando a cidade e a segurança nos Estados Unidos recuperaram um mínimo de normalidade.

Em data que não posso precisar, mas ainda antes do Natal desse ano, numa livraria numa esquina da Park Avenue, cruzei-me com uma cara conhecida. Era Jose Miguel Insulza, então ministro do Interior do Chile. Três anos antes, ao tempo em que ele dirigia a diplomacia do seu país, eu tinha-o recebido como representante à Expo 98 e, no ano seguinte, como presidente interino, ele tinha-me acolhido no Palácio de la Moneda, numa visita oficial que fiz ao Chile.

Falámos, naturalmente, do trauma que Nova Iorque e aquele país atravessavam, depois dos acontecimentos de 11 de setembro. Nunca esquecerei uma frase que me disse: “Nosotros también tuvimos nuestro 11 de septiembre”. Era verdade. 11 de setembro de 1973 foi a data do sangrento golpe de Estado no Chile. Insulza fora membro do governo de Allende e esteve exilado vários anos, antes dos chilenos recuperarem a sua democracia. Como muita gente da minha geração, eu também não esquecia isso. 

Ao final do dia 11 de setembro de 2001, com as torres gémeas derrubadas, com Nova Iorque sob uma núvem infernal de poeira e o choque da bárbara agressão de que a América acabara de ser vítima pelas mãos do fanatismo, um jornalista português, de Lisboa, que me entrevistava para uma rádio, comentou: “Estou certo que, depois da experiência por que está a passar, o senhor embaixador nunca mais vai esquecer a data de 11 de setembro”. Acho que ficou surpreendido pela minha resposta: “Há muitos anos que eu não esqueço o dia 11 de setembro. Em 1973, foi a data do golpe fascista no Chile”. 

Posso revelar que, nos dias seguintes, recebi de Lisboa, desde logo do MNE, alguns remoques sobre aquela minha inusitada reação. É a vida de quem tem memória!

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