À chegada, ao ser-me indicado o número do meu quarto, inquiri sorridente: "Não tem livre o 68?", como se estivesse num hotel. A senhora olhou para mim, com estranheza: "Não há cá nenhum quarto 68!" E mais perplexa ficou quando me ouviu dizer: "Não há, mas houve". Logo acrescentei, dando uma de velho que quer fazer-se passar por imbatível conhecedor: "Mas isso já foi há muitos anos. Esqueça!" Ela, com mais que fazer do que aturar a minha caturreira, baixou os olhos para a papelada e deve ter pensado: "Sai-me cada um na rifa!".
De facto, só um maduro como eu se lembrava, 58 anos depois, de querer ter a "sorte" de ser inquilino, embora por uma noite, do mesmo quarto que Salazar ali ocupou em 6 de setembro de 1968, na sequência da queda da cadeira.
Mas, que se há-de fazer?, eu tenho estas manias de fazer um "vêzinho" nos lugares da História!
