Nunca é muito evidente e óbvio o efeito que um debate pode ter no desfecho de uma campanha eleitoral. Mas, como frequentemente acontece, há, entre dois candidatos, quem espere mais de um debate do que o outro. Joe Biden tinha absoluta necessidade de usar este seu primeiro momento para marcar uma imagem “presidencial”. Tentou-o, mas não o conseguiu. Desestabilizado por Trump, que, não obstante a sua indisciplina no exercício, demonstrou uma supreendente calma e até contenção, Biden deixou-se resvalar para o insulto fácil. Ao longo de todo o debate, Biden projetou uma imagem de fragilidade física - na voz, na expressão, nas hesitações e na própria cara - que não foi compensada pelo sorriso complacente com que aturava as provocações de Trump. O baixar de cabeça e um ar, por vezes, angustiado, retiraram-lhe a assertividade que era essencial ter projetado. Se a ideia de Biden era ali afirmar a ideia de um presidente “a sério”, por contraste com aquele que a América teve nos últimos quatro anos, a tentativa falhou. Trump soube contê-lo e, em particular, conseguiu passar para o seu eleitorado todas as mensagens que queria. Percebendo que não iria retirar nenhum voto ao campo democrático, falou apenas para “os seus”. Esta foi uma oportunidade perdida por Joe Biden e ninguém parece esperar que, nos próximos debates, as coisas lhe corram melhor. Pelo contrário, digo-o com pena.