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sexta-feira, março 13, 2020

“Revolução”


Começo por um “disclaimer”: sou um orgulhoso sócio da Associação 25 de abril e, numa muito modesta medida, também dei “uma mão” a que a Revolução desse dia se fizesse. E, por isso, gosto muito da palavra Revolução, sempre com maiúscula, claro. Ao contrário de muitos amigos meus.

Dei conta, há dias, de que o restaurante da Associação, que se chamava “Com Tradição”, passou a chamar-se “Revolução” e passou a ter uma nova equipa. Infelizmente, em função dos dias que correm, encerrou logo depois de reabrir. Aguardemos, assim, melhores tempos.

No passado, o espaço teve uma existência atribulada, com gerências sucessivas, com uma ”produção” gastronómica errática: já por lá comi bastante mal, já por lá comi razoavelmente, confesso que nunca de lá saí com a sensação de ter comido um repasto de sonho. Mas isso acontece-me em muitos outros locais.

Esta minha nota, porém, não é gastronómica, é semântica ou mesmo toponímica. Com o devido respeito ao meu amigo Vasco Lourenço, verdadeira alma da Associação, quero aqui deixar claro que considero um erro dar a um restaurante, mesmo a este, o nome de ”Revolução”.

O restaurante da Associação 25 de abril é um espaço aberto ao público, não exclusivo para os seus associados. E sendo a palavra Revolução, assuma-se isso ou não, um vocábulo forte e divisivo, conferi-lo a um espaço de restauração ligado ao 25 de abril é, a meu ver, um erro comercial.

As casas comerciais, para terem sucesso, não podem ter a menor conotação política e eu não estou a ver uma pessoa de direita, que detesta o 25 de abril, um “retornado” de África, que vota CDS, dizer para a família: “Esta noite vamos ali ao “Revolução” comer umas pataniscas com arroz de feijão. Parece que estão a servir bem...” Se me disserem que esses clientes não interessam ao restaurante, então já entenderei o que se espera do seu balanço comercial.

Mas isto sou eu a pensar alto! Por mim, quando o “Revolução” reabrir, vou lá almoçar ou jantar, claro. E viva o 25 de abril!

Outros tempos