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domingo, março 29, 2020

Patrick Davedjian


Há politicos que nos irritam. Há políticos cuja inteligência nos diverte. Patrick Devedjian, para mim, cumpriu sempre essas duas funções. Morreu hoje, de coronavírus, aos 75 anos.

Era uma figura que projetava alguma arrogância, como às vezes acontece a quem, como ele, era muito dotado. De ascendência arménia, como o apelido não traía, foi um dos “culpados” do reconhecimento parlamentar do genocídio turco na segunda década do seculo XX, que haveria de inquinar, ainda mais, as relações entre Paris e Ancara.

De extrema-direita da sua juventude, passou depois a liberal.

(Nada que, entre nós, não seja o pão nosso de cada dia. Alguns, aliás, dão ares de tentarem acumular ambas as vertentes - a primeira, porque lhes está na natureza, a segunda, porque está ou estava na moda).

Aderiu depois ao gaullismo, coisa comum na direita francesa, onde amor ao Estado se equivale, muitas vezes, ao da mais ortodoxa esquerda. Saiu mais tarde das bandas de Jacques Chirac para se juntar a Sarkozy. Não gostou que este abrisse o governo a algumas caras heterodoxas, como Kouchner e outros divertimentos. Foi nessa altura que proferiu uma das boutades por que ficou famoso: “Sou por um governo de abertura, inclusive aos sarkozistas...”.

Um dia, depois de ganhar uma eleição que todos esperavam que perdesse, cunhou esta pérola da ironia política, que deixo em francês, por ser assim mais saborosa: “Il y avait tellement de gens à mon enterrement que j’ai décidé de ne pas m’y rendre”. A frase ficou tão famosa que, estou certo, ele sabia que seria lembrada na hora da sua morte.

Ambiguidade

Corre por aí um modelo para ninguém perder a face na questão da Gronelândia.  Os EUA obteriam a propriedade das bases no território, o qual ...