terça-feira, março 17, 2020

Cada um sabe de si

 
Sei que muita gente não gosta de António Costa e do seu governo. Muito em especial, nesta conjuntura, já se percebeu que não apreciam o trabalho da ministra da Saúde e que não “vão à bola” com a cara de Eduardo Cabrita. Por isso, para eles, faça o governo o que fizer, ou fez tarde, ou faz mal ou não vai ser capaz de fazer bem. 

Algumas dessas pessoas vivem numa imensa orfandade política (leia-se: têm saudades de Passos Coelho), porque estão insatisfeitas com as lideranças existentes na sua área, e também porque Marcelo Rebelo de Sousa não lhes traz hoje um mínimo de conforto. 

Tenho porém a perceção de que, em face da crise gravíssima como a que hoje atravessamos, lá no fundo, sem nunca o dizerem, essas pessoas acabam por ter alguma confiança na experiência, no bom senso e na capacidade de António Costa.

Ou passa pela cabeça de alguém que um governo Rio-Chicão estaria melhor dotado para enfrentar os desafios da pandemia em Portugal? Não brinquemos!

Como é óbvio e público, sinto-me muito confortável ao ter, neste momento grave, António Costa como primeiro-ministro. Vou mais longe: nenhuma personalidade política portuguesa me daria mais confiança, no tempo que atravessamos, à frente do governo do meu país. Trabalhei com ele, conheço-o e admiro as suas qualidades. Mas, claro, admito que seja suspeito por essa razão.

Um dia dos anos 80, Giscard d’Estaing disse a François Mitterrand, num debate, que a esquerda não tinha “o monopólio do coração”. E tinha razão: conheço bastante gente de direita com preocupações sociais, com cujas ideias nesse domínio frequentemente me encontro, até porque não vivo a política como se isto fosse uma guerra de trincheiras.

Neste tempo excecional, contudo, em que vai ser necessário estabelecer prioridades, em especial em face da onda de problemas sociais que a crise vai potenciar, ter António Costa à frente do executivo português é uma garantia que eu não trocaria por nada.

Mas, mais do que nunca, nestes momentos, cada um sabe de si.

25 comentários:

  1. João Cabral07:26

    Esperemos que não venha a ter de engolir as palavras ora ditas (escritas), senhor embaixador. António Costa já demonstrou absoluta inépcia a lidar com problemas graves no país. E não foi assim há tanto tempo. O optimismo irritante esconde, no meu entender, duas coisas: inconsciência e irresponsabilidade. De facto, só aos optimistas isso está reservado.

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  2. Anónimo08:35

    Concordo. Mas, lamentavelmente, não basta a serenidade de ACosta. Seria preciso que outros actores políticos fundamentais dessem o exemplo de não entrar em histerias loucas. Infelizmente o pior exemplo veio de cima: sua excelência o comandante supremo das Forças Armadas desertou e foi tratar da roupa e lavar a louça. É uma emergência, diz ele. Imagine-se que camionistas, logísticos e outros profissionais da distribuição lhe seguem o exemplo e também decidem entrar em quarentena preventiva apenas porque o marido da tia da vizinha do andar de baixo teve um teste positivo...
    Ao contrário de ACosta, o cavalheiro que deveria estar firme no seu posto em Belém, revelou-se em todo o seu esplendor: um verdadeiro especialista em jogos florais e em intrigas palacianas, que só servem para fazer prova de vida e complicar a vida a quem assume o ónus de ter de resolver problemas.

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  3. Anónimo10:20

    Subscrevo em absoluto tudo o que está escrito neste post. É nestas alturas que os líderes se destacam e o AC está muito acima.

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  4. arber11:10

    Ontem assisti na SIC à entrevista mais miserável de que me recordo, feita ao Primeiro-Ministro pelo Rodrigo Guedes de Carvalho.
    A insistência com que perguntava se podia garantir que haveria ventiladores suficientes, e insistia, insistia, insistia, deu-me agonias.
    Quem lhe terá encomendado o questionário?!
    Só faltou perguntar se o PM podia garantir a existência de papel higiénico suficiente nos hospitais.
    Francamente!

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  5. Anónimo11:20

    "António Costa já demonstrou absoluta inépcia a lidar com problemas graves no país"

    Ah sim ?! Não quer dar um exemplo para ilustrar a malta, caro João Cabral ?

    MRocha

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  6. Anónimo11:54

    Caríssimo senhor embaixador e comentadores! De nada resolve dizer que AC é fantástico ou o seu contrário. De facto o passado diz-nos que devemos ser cautelosos , ou alguém já se esqueceu dos incêndios, de tantos...bem! De qualquer forma é o que temos e é sua obrigação fazer o possível e o impossível para minimizar os danos desta tragédia para que não enlouqueçamos todos... ! Mas importa fazer uma distinção entre AC e a generalidade dos seus ministros...exceção para MC! Deus nos proteja e que a tormenta passe depressa. Fiquem
    Bem!

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  7. Mal por Mal12:19

    Calhou-nos gente medíocre na hora certa.

    Liuobomir, o cozinheiro teve razão: falta de "tomates".

    Todos temos que morrer...mas o que se poupava em não deixar para amanhâ!

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  8. Anónimo12:37

    António Costa mostrou nos momentos difíceis que tem estofo de estadista. Qualquer pessoa que governe vários anos tem que ter momentos melhores e piores, mas continuar a falar dos fogos de 2017 como “falha” de seja quem for é não perceber o que se está a passar no mundo e há possibilidades de as pessoas se informarem como os cientistas vêem esses fogos. O que é extraordinário é que muita direita ainda não lhe perdoe a geringonça porque não sabe que a democracia é o governo de quem tem a maioria nos órgãos institucionais e não quem tem mais votos nas eleições. Então queriam que o PAF governasse com 1/3 dos votos e contra 2/3 do Parlamento?
    Fernando Neves

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  9. Cada um sabe de si e.....Deus de todos...

    Há bem pouco tem os responsáveis políticos multiplicavam-se em declarações sobre o vírus que não ia chegar.
    Mantiveram-se agendas e olhava-se para o lado.

    Ironicamente Portugal discutia a eutanásia quando devia estar a tratar de divulgar os riscos reais do vírus.

    Agora reivindica-se a declaração do estado de emergência. O que interessa saber é apenas isto: a declaração do estado de emergência ajuda a combater o vírus?
    Se sim, declare-se e já.

    Se não, se se trata apenas de um artifício para que uns responsáveis-irresponsáveis possam poder dizer “Até declarámos o estado de emergência”; para que se garantam uns telejornais com aberturas bombásticas “Declarado o estado de emergência!” e para que o povo acredite que se fez tudo mas mesmo tudo para combater o vírus.
    Então não vale a pena.

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  10. Anónimo12:53

    Deus nos livre de passos/portas/cavaco e seus apoiantes!
    Que nunca mais...!

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  11. alvaro silva13:24

    O Covid 19 é que não é permeável ás apetências políticas dos governantes, nem tão pouco aos esforços dos doutores, ou ás rezas dos clérigos, apenas sabemos ou suspeitamos que não é republicano, pois usa coroa!
    Vai daí todos estamos (in)aptos para tomar medidas para tais fatos. O mais certo é lermos a história para nos confortarmos com outras desgraças que já ocorreram e de que nos chegou notícia e de todas elas pudemos tirar algum sumo. No geral todos os governantes se viram em palpos de aranha e ficaram gratos por terem escapado ao Cavaleiro do Apocalipse, só que dantes vinham a cavalo e agora vem de jacto, mas a reação do humano é tremendamente similar.

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  12. António14:01

    Veremos como Costa trilha este caminho minado. É que não é só o vírus que se está a espalhar, e os fundamentalismos, radicalismos, a intolerância, não têm cura nem vacina à vista.

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  13. Não consigo entrar neste tipo de balanço que é decorrente em Portugal desde os idos cavaquistas (a ditadura de Salazar, de facto, moldou-nos a psique), com o homem do leme (o que seria de nós sem o sebastiânico Cavaco, o doutor em Finanças, o economista, o seríssimo, o competentíssimo, o inabalável, o...). António Costa é, neste momento, primeiro-ministro. Neste particular do Covid-19, faz o que Rio, com toda a certeza, faria. Deixe-se lá destes encómios idolatrados ao Costa. Até porque, segundo creio, não se ouve uma única voz da oposição a criticar o trabalho do Governo relativamente ao combate à pandemia. E, já agora, deixe-me que lhe diga: na minha opinião, o Eduardo Cabrita já há muito que deveria estar no lugar onde lhe competia: fora do Governo.

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  14. Anónimo16:11

    Permita-me discordar de algumas coisas.
    O facto de se ter saudades de Passos Coelho (rectius, da coragem que evidenciou) não confere ipso facto credibilidade a Costa. Há que separar e deixar de malhar no pobre do homem. Também não consigo compreender a capitus diminutio relativamente a Rio. Onde é que o Sr. Embaixador descobriu que Costa tem mais capacidades do que Rio, que eu, aliás, não aprecio, para enfrentar a pandemia? A experiência é importante mas os resultados não têm sido famosos
    E depois o êxito do primeiro ministro depende muito da qualidade dos seus ministros. Ora, quer a ministra da saúde quer o ministro da administração interna têm muito pouca credibilidade. Basta um errozito e a comunicação social ( mais do que o povo ) cai-lhes em cima. Portanto, estou preocupado não tanto com Costa ( que já deve estar a ter pesadelos com a recessão que aí vem ) mas mais com a capacidade da ministra, até para se impor a Màrio Centeno, na hora de gastar

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  15. Anónimo16:30

    Não percebo porque é que se chama Passos Coelho à colação quando se quer enaltecer António Costa. Aliás, percebo.... Passos Coelho era uma pessoa horrível, de extrema-direita, que gostava de infligir sofrimento ao povo, gratuitamente, e tinha lepra. Costa é de uma esquerda moderada, cheia de capacidades, honesta e honrada ( apesar de gulosa...), amiga do povo e das contas equilibradas (a partir de 2015..) e que combate denodadamente todas as doenças que lhe aparece pela frente. Francamente...

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  16. Adoro heterónimos! Os que fingem escrever coisas diferentes e acabam por dizer o mesmo, dando o ar de ser mais do que um. Como se a origem do seu comum IP informático lhes não revelasse a careca...

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  17. Anónimo16:58

    Para que não fiquem dúvidas, o anónimo das 16.11 é o mesmo das 16.30. Mas isso é relevante? Já não se pode complementar um comentário? Ou não se gosta do que se escreveu nos dois?

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  18. Cícero Catilinária17:10

    Pois é, caro Embaixador. Como dizia o outro, "eles andem aí". Basta o sr. atirar a bola ao ar que "eles" logo vêm a galope para tentar pontapeá-la, que é como quem diz, cairem-lhe em cima como cães a um osso. É deixá-los pousar. Mas o que a gente se diverte, pelo menos eu, com a raivinha de dentes dessa gente.
    E para os saudosistas do sr. Passos e do seu governo PAF, se ele por cá ainda andasse, o SNS, o tão criticado e vilipendiado SNS, que ele não teve tempo de destruir completamente, já teria acabado. Queria ver onde recorreriam as "viúvas", se viessem a ser infectadas pelo Covid-19.
    E já que estou a ser mauzinho, será que o nosso patriarca seguiu o exemplo do nosso "general" e, acagaçado como o outro, se recolheu em parte incerta?
    Isto, em tempos "pafianos", já tinha dado para umas quantas missas e aparições na TV, a exortar os portugueses à calma e a confiarem nas medidas do governo para combater a crise.

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  19. O Anónimo das 16:58 pode descansar. Eu sei quem repete...

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  20. Anónimo18:15

    Tudo fantástico mas... porque razão nos dizem que as máscaras não previnem a infeção e, depois, andam os médicos à nora por não terem máscaras para se protegerem?

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  21. Francisco de Sousa Rodrigues19:49

    Nem mais, Senhor Embaixador!

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  22. Anónimo20:00

    Peço desculpa pela repetição, Sr. Embaixador e, ainda, pelo facto de admirar algumas qualidades de Passos Coelho e não suportar o repetitivo panegírico de António Costa. Prometo, doravante, mais contenção (economia nos comentários), mas igual contundência. Saúde!

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  23. Anónimo22:11

    Amante que sou da boa comédia, entretenho-me a pensar o que seria se as medidas limitadoras das liberdades individuais tivessem de ser aplicadas por um governo de direita...

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  24. Mal por Mal00:29

    Repito, foi um grande azar os dois medíocres que nos calharam nesta hora complicada: Marcelo e Costa.

    Aliás o Costa já tinha demonstrado a mediocridade quando foi dos incêndios.

    Liubomir o cozinheiro topou-o, falta de "tomates"

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  25. Anónimo23:54

    Apesar do atraso, venho, Sr. Embaixador (e eu não sou suspeito), concordar integralmente, com o seu post, relativamente às capacidades do Primeiro Ministro, António Costa. Ao contrário do comentário/graçola bacoca, anterior, referir que tem falta de tom... Não tem, é determinado, sério, competente, inteligente e democrático. Esta provação é das mais duras que lhe batem pela porta. Mas, também acho que, de momento é o melhor que temos. A "tralha direitóla, não gosta e não gostará, jamais. Aguentem. Estão sempre a falar no raio dos fogos. parece que foi ele o incendiário. Outros, que bem sabemos, nas circunstâncias, queria ver.

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