sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

“Tintin a nonante ans!”


Tintin faz agora 90 anos. Este fim de semana, por entre muita coisa que tenho para fazer, vou tentar encontrar tempo para me deliciar a rever alguns dos seus álbuns - de que, felizmente, tenho uma coleção completa, com várias versões que foram evoluindo com o tempo, ao sabor do politicamente correto. E ainda tenho imensa livralhada sobre Tintin, inclusivé um glossário das interjeições e insultos do Capitão Haddock. A “tintinofilia” é uma doença incurável.

Hergé, na criação das suas personagens, não prestou muita atenção a figuras portuguesas. Há apenas três: o professor Pedro João dos Santos, da Universidade de Coimbra, um anónimo jornalista do “Diário de Lisboa” e a melhor de todas, um português das arábias, uma figura que honra a diplomacia económica e que a Aicep, se tivesse humor e coragem, já há muito deveria ter elegido como o seu ícone: o Oliveira da Figueira, capaz de vender um par de skys no deserto do Saara.

Grande Tintin, grande Hergé! Nem pelo facto de Hergé ter sido, tristemente, um colaboracionista, lhe retira o mérito de ser um génio, a quem sou eterno devedor de muitas horas de genuíno prazer.

8 comentários:

Anónimo disse...

Mas, porque razão é que o Hergé havia de pôr muitas personagens portuguesas nas suas histórias?

Sempre este complexozinho... parece que nos damos muita importância mas é só, para logo de seguir, nos mostrarmos muito pouco...

Francisco Seixas da Costa disse...

Talvez ler com mais cuidado fizesse bem ao anónimo das 23:29. Quem é que se “queixou” de não haver mais personagens portuguesas no trabalho de Hergé? Apenas notei que havia poucas, sem o menor desejo que houvesse mais. Caramba, já há medicamentos para a vesícula...

Anónimo disse...

Ó senhora, não se faça de desentido. É óbvio que a utilização do "apenas" implica uma avaliação. "Hergé criou três personagens portuguesas" é diferente de "Hergé criou APENAS três personagens portuguesas".

É como quando os jornalistas dizem "Ronaldo é o único português na lista dos cinco melhores do mundo". Era de esperar mais? É pouco?

Anónimo disse...

Quand meme, já é curioso que H tenha posto 3 personagens portuguesas tanto mais que o Oliveira pass a membro da família do Tin-Tin , não aparece só uma vez. É aliás um dos poucos estrangeiros identificados como tal, menos importante que a Castafiore ou p Tchang mas mais simpático que o grego. Os outros 2 portugueses têm razões circunstancias curiosas para lá estar
Fernando Neves

vitor disse...

Somos muitos.

Anónimo disse...

Hergé foi, de facto, um colaboracionista no sentido em que colaborou/trabalhou/publicou no Le Soir (chamado Le Soir vollé) durante a ocupação alemã, tal como milhares de outros compatriotas seus trabalharam nos mais diversos métiers durante o mesmo período. É também sabido que Hergé iniciou os seus ofícios num jornal católico/conservador/de direita. No entanto custa-me aceitar que o confundam com ideologias com as quais não concordaria, ver por exemplo o nome do "vilão" no excelente Ceptro de Ottokar. Creio mesmo que Hergé, ao longo da sua obra se notabilizou por ser um humanista e defensor daqueles a quem costumamos apelidar de minorias.
Peço desculpa por não concordar com o senhor embaixador nesta questão do colaboracionismo, embora no resto esteja totalmente de acordo, já que me considero um tintinófilo militante.
Francisco Sousa

Anónimo disse...

Lido com interesse.


Despacho:

Os belgas deviam conhecer bem os nossos comerciantes ambulantes pois o Congo Belga , como sabemos, é paredes meias com Angola e as relações comerciais eram intensas. Já o nome do comerciante português é curioso: Oliveira da Figueira.

carlos cardoso disse...

Não me parece correta a sua afirmação sem mais que Hergé foi colaboracionista. É verdade que foi acusado de ter publicado as suas estórias no suplemento infantil de um jornal controlado pelos nazis durante a ocupação e que, por isso, foi preso na altura da libertação (passou uma noite na cadeia), mas nunca foi formalmente acusado de colaboracionismo.
Se por um lado Hergé era um católico conservador e monárquico, por outro "Le sceptre d'Ottokar" (publicado em 1939) é uma crítica clara ao Anschluss e o "mau da fita" chamava-se Müsstler, contracção de Mussolini e Hitler.
carlos cardoso
PS: por lapso meu este comentário foi parar a outro lado (de onde o apaguei)