quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A política da forma



Na reação pública ao desafio que agora lhe foi colocado, Rui Rio voltou a suscitar, num tom até um pouco a despropósito, a questão da forma de estar na política. Reagia assim às críticas que lhe são regularmente feitas de que o seu estilo de liderança não é mobilizador e que, se persistir ir por esse caminho, o PSD se arrisca a ter um resultado desastroso nas próximas eleições legislativas e, ainda antes, nas europeias.

Não sendo um observador independente na matéria, creio possível fazer um exercício analítico relativamente objetivo. E tentar responder às questões: quem terá razão? Rui Rio ou os seus críticos?

Rio deu, desde o primeiro momento, sinais de querer introduzir uma nova atitude no debate político: não fazer oposição só para mostrar que está contra o “outro lado”, criticar apenas quando tem razões para tal, apoiar quando entender que o adversário esteve certo, caminhar sempre que possível no sentido de compromissos de regime. Todos concordarão que esta atitude introduz uma clivagem clara no modo de estar dos líderes partidários portugueses - e não só no PSD. Dir-se-á que apenas António José Seguro tentou ir um pouco por esse caminho, até ao momento em que terá percebido que essa postura não lhe trazia quaisquer dividendos ou reconhecimento público.

Um ano depois de ter assumido funções, o líder do PSD já se deve ter dado conta de que essa forma de atuar, no imediato, não lhe irá render muitos votos. Estará Rio a negar assim a realidade objetiva dos factos? 

Se repararmos bem, salvo em algumas notas despiciendas de pormenor, os mais vocais críticos de Rui Rio nada apresentam de concreto, em termos de propostas políticas, como base para a sua contestação. (Alguns acusam-nos de estar apenas a lutar por lugares). O que criticam é a forma, é a ausência de agressividade, é a não personalização de ataques na pessoa do primeiro-ministro, como a líder do CDS faz a toda a hora. A oposição feita por Rio parece-lhes “mole”, não congregadora dos votantes potenciais do PSD.

Acho que Rio tem razão, mas os seus críticos também. Rio tem uma visão “decente” da política que, a vingar, nos faria caminhar para um país bem melhor, mais moderno, com bem menos tricas e bastante mais verdade. Montenegro e os saudosos de Passos Coelho argumentam que, a atuar desta forma, o PSD se afasta inexoravelmente do poder. E, implicitamente, concluem: a vida política em Portugal é o que é! Ninguém chega ao poder de outra maneira. O que também não deixa de ser uma verdade possível. 

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