quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Os anos da Tabela

A Tabela Periódica dos Elementos faz 150 anos. Há por todo o mundo grandes comemorações, pelas ruas e escolas (como se vê na imagem). Conheci a tabela quando era ela bem mais nova: tinha apenas 100 anos...

Em 1968, fui estudar Engenharia Eletrotécnica para a universidade do Porto. Uma das cadeiras, logo do 1° ano, era Química Geral, ministrada por Vasco Teixeira, ao tempo dono da Porto Editora. Logo nas primeiras aulas, foi-nos apresentada a Tabela Periódica. O que era? Era uma listagem das largas dezenas de elementos químicos existentes no universo que ia sendo conhecido, num gráfico com os símbolos de duas letras.

Concluí a cadeira com uma nota baixa. Até tarde, nunca tive grande consciência da importância objetiva da tabela, que também era conhecida como de Mendeleev. Hoje percebo bem melhor o sentido daquela ordenação, a importância e simbologia prospetiva do seu arranjo gráfico, revelador de afinidades e prenunciador de descobertas futuras. A tabela é o “eixo” de toda a Química contemporânea.

Um dia de 1967, estava eu no café “Piolho”, com a Tabela em frente e a “sebenta” aberta (estudávamos por uma “Quimica General”, livro espanhol do premiado do Nobel, Linus Pauling, e por uns apontamentos comprados num primeiro andar, em frente da Leitaria Quinta do Paço), quando se sentou à mesa um colega, já mais adiantado no curso. 

Na conversa que se seguiu, veio à baila a Tabela. Na minha inconsciência, expressei a minha perplexidade quanto à real utilidade prática da mesma. Esse colega “esclareceu”: “Também nunca percebi, mas a Tabela tem-me dado um jeitão!”. Fiquei surpreendido, e ele logo explicou: “Para as palavras cruzadas: o Cobalto é CO, a prata é AG, o sódio NA. A Tabela é utilíssima...” 

O velho Mendeleev é capaz de ter morrido sem saber desta utilidade “marginal” da sua famosa tabela...

3 comentários:

Anónimo disse...

Desculpe Sr. Embaixador , se entrou para o 1o ano da Faculdade em 1968 , como é que em 1967 já estava no « piolho «  a estudar a dita tabela ... Há sobredotados , mas adivinhos ... de tabelas , nunca tinha ouvido falar .

Anónimo disse...

São as opções da vida que nos levam, por vezes, pelo caminho certo.
Ganhamos um brilhante embaixador, exímio na arte da diplomacia e na obtenção de consensos na resolução global de questões e não atento à evidenciação de pormenores, sem peso próprio, passe o pleonasmo.
E perdemos um engenheiro, provavelmente insatisfeito, e com dificuldade na precisão dos dados. De pormenor, certamente.
Um abraço

Anónimo disse...


Quando, no Brasil, tive que decorar a tabela periódica, o meu professor de Química deu-nos umas mnemónicas bastante úteis, das quais só me lembro das duas primeiras: H Li Na K Rb Cs Fr - "Hoje li na capa da revista coisas francesas" // Be Mg Ca Sr Ba Ra - " Bela Magnólia casou com o Senhor Barata".


Luís Quartin Graça