quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A Bica


Ontem passei e passeei pela Bica. Almocei na Liège, saí pela rua onde ficava a tasca do Martins, em que, nos anos 70, tinha mesa marcada com os meus colegas de emprego, e, sob o sol deste inverno, tomei café (em inesperada calma de gentes) numa agradável esplanada no Alto de Santa Catarina (a “dona” tinha uns olhos lindíssimos), rondei depois o ateliê do Romualdo, onde o Olívio me levou um dia a comprar dois quadros que já nem sei bem onde param, quase em frente ao bar (hoje restaurante a armar ao fino) onde charlava nos seus dias lisboetas com o Eurico Gama, não muito longe da (ex-famosa, quando a Bica se tornou moda) Bicaense (agora fechada?!), onde uma noite, desembarcado de Paris, fui jantar com o Zé Barreto, e também do Toma-Lá-Dá-Cá, em que, há uns tempos, não se comia nada mal, e por aí me veio à memória a figura pausada (sempre e apenas ao final da manhã) do Manuel de Almeida, que ali cruzei algumas vezes, e, nesse mesmo instante, por coincidência fadista, passei junto à casa onde, segundo a placa, iniciou carreira o Fernando Farinha, o “miúdo da Bica”. E saí dali a pé por São Paulo. Nunca fui um “habitué” da área, mas que a Bica tem bastante graça, lá isso tem! Percam/ganhem uma hora por lá, se puderem, e não se arrependerão.

6 comentários:

vitor disse...

Fiz economia no velhinho Quelhas. A melhor parte do caminho e do transporte era o eléctrico 18 da Praça do Comércio até ao Conde Barão. No Verão, da Bica à Madragoa era quase sempre a pé. Escusado será dizer que, tirando à época das frequências, poucas vezes chegávamos efectivamente ao ISE. Vá-se lá saber porquê.

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Belo roteiro! Já tive o prazer de por lá cirandar.

Lúcio Ferro disse...

Sem desfazer do post, interessante como o são todos os seus apontamentos de vida, sempre tratados com ternura e subtileza, não deixa de ser curioso que, sobre os mais recentes desenvolvimentos da nossa política externa, Augusto Santos Silva dixit, o senhor embaixador mantenha um silêncio sepulcral...

Francisco Seixas da Costa disse...

Lúcio Ferro não me lê em toda a parte. É pena: https://mobile.twitter.com/seixasdacosta/status/1088247373996982273

Anónimo disse...

Atendendo ao comentário de Lúcio Ferro, digo eu: era só o que faltava que as pessoas tivessem de seguir FSC em todo o lado. O PCP tem o centralismo democrático, FSC talvez pudesse ter o centralismo opinativo!

Anónimo disse...

A Bica é a consequência de um deslizamento de terras em finais do séc XVI como se pode ler aqui

https://books.google.pt/books?id=U3MKEmKUdiIC&pg=PA141&dq=bica+deslizamento+de+terras+1597&hl=pt-PT&sa=X&ved=0ahUKEwjM0em_65HgAhUJmBQKHVNABQMQ6AEIKDAA#v=onepage&q=bica%20deslizamento%20de%20terras%201597&f=false

https://books.google.pt/books?id=SMqEDwAAQBAJ&pg=PA58&dq=lisboa+bica+1597&hl=pt-PT&sa=X&ved=0ahUKEwj2wcbu65HgAhWS3eAKHVD9Ah0Q6AEILTAB#v=onepage&q=lisboa%20bica%201597&f=false

https://books.google.pt/books?id=4p8vAQAAMAAJ&q=lisboa+bica+1597&dq=lisboa+bica+1597&hl=pt-PT&sa=X&ved=0ahUKEwj2wcbu65HgAhWS3eAKHVD9Ah0Q6AEIKDAA