segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Segunda-feira



Jorge Palma ironizou um dia, no “Deixa-me rir!”, sobre a pessoa que “domingo sabe de cor o que vai dizer segunda-feira”. Por ter ouvido mal a letra da canção, habituei-me sempre a colocar a palavra “fazer” naquele “dizer”. E sentia-me ali retratado. É que, por muito tempo, creio que como bastante gente, aproveitei os fins-de-semana para construir imensas listas de coisas a executar na semana que se iria seguir. Só que, invariavelmente, quando na segunda-feira iniciava, com toda a boa vontade, esse rol de deveres auto-impostos, dava-me conta de que esse novo dia afinal não era um “feriado”, que ele próprio criava novas solicitações, novas urgências, choviam telefonemas, obrigando a lista tão laboriosamente feita a ir caindo num relativo esquecimento. Não raramente me senti frustrado com essa eterna incapacidade de gerir convenientemente o meu quotidiano.

Com a nova vida que a (relativa) reforma me trouxe, a minha agenda anda agora um pouco mais regular, embora muito, mesmo muito, cheia. Ontem, domingo, ao cair do dia, lá tinha feito a minha lista: vários telefonemas, uma conta a pagar, muitos emails em atraso, uns artigos por ler, um livro que me “faz falta”, etc. Eram só 34 items! Hoje acordei “de peito feito” para concretizar muitas dessas obrigações. Ora bem: acabo o dia a constatar que, afinal, quase tudo (embora não tudo) o que estava em atraso em atraso ficou.

De uma coisa tenho a certeza: no próximo fim de semana tudo se passará da mesma forma. Afinal, se há um vício antigo é que nunca desistimos de nos enganar a nós mesmos. No que me toca, porém, há uma agora substancial diferença face ao passado: não me preocupo tanto, e dou conta de que vivo feliz assim. 

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