Creio que foi em 13 de agosto de 1975 que verdadeiramente nos conhecemos, em pleno "verão quente" desse ano tão político, no dia da nossa comum entrada para as Necessidades. A Ana fazia parte do grupo muito restrito de mulheres que, naquela ocasião, puderam aceder, pela primeira vez, à carreira diplomática. Falo de Ana Barata, uma amiga e colega que acabam de me dizer que morreu.
Vi-a, faz pouco tempo, na Versailles. Seria a última vez. Era frequente encontrá-la por lá, a caminho ou saída há pouco da Gulbenkian, ela que era uma conhecida "habituée" de concertos. Tinha a música como um dos seus grandes hóbis. Em 2004, em Viena, quando se preparava para me substituir como embaixadora na OSCE, recordo-me que fomos uma noite juntos à ópera. Imagino que tenha sido bem feliz por lá.
A Ana era uma amiga que fui cruzando pelo mundo, de Madrid a Belgrado, de Londres a Bruxelas, de Zagreb a Viena. Tinha um sorriso permanente, uma atitude sempre positiva, uma gargalhada sã. Muito culta, devo-lhe preciosas indicações bibliográficas. E, muito mais do que isso: devo-lhe uma imensa solidariedade pessoal, o que não é a menor coisa na nossa vida.
Sinto uma grande pena pela sua morte.
