sábado, 19 de janeiro de 2019

Pedro Gonçalves


Houve “capitães de abril”, mas também houve “milicianos de abril”. Nesse ano de algumas coisas já muito longínquas que foi 1974, alguns de nós - civis por natureza, militares por acaso - oferecemos com entusiasmo os nossos dias à concretização de um belo sonho. Pelo caminho, cometemos alguns erros, mas fizemos outras coisas que valeram bem a pena. O saldo aí está: a sociedade livre em que vivemos. Ajudámos a mudar o país e, com imenso orgulho, contribuimos, à nossa modesta medida, para a liberdade que hoje todos partilhamos. Nenhum de nós recebeu a “Ordem da Liberdade”, nem tinha de a receber. O país não nos deve nada, nós é que, para sempre, lhe ficamos a dever a oportunidade histórica de ter podido estar num certo lugar, no tempo certo. E isso, ninguém nos tira!

Hoje, sob farta chuva, lá estivemos a despedir-nos de um de nós, de um amigo, parceiro dessa aventura, do Pedro Gonçalves. Há mais de quarenta anos que o seu sorriso, a sua bonomia, a sua graça, aquela figura alta iluminava os regulares almoços do nosso grupo de “militares de abril” - que junta alguns amigos profissionais “do quadro” a quantos, como o Pedro ou como eu, andaram, apenas por uns tempos, ”emprestados” a essa “guerras” da Revolução. Mas, todos, sem exceção, “abrilistas” ferrenhos.

Daqui a dias, quando de novo nos juntarmos, não deixaremos de fazer uma emocionada saudação à memória do Pedro Gonçalves e, tal como sabemos que ele teria gostado, lançaremos um imenso “viva o 25 de abril!”

Deixo uma fotografia incompleta do nosso grupo, com “faltas justificadas” do Carlos Contreiras, do Martins Guerreiro e do Jorge Abegão - que hoje estiveram connosco a despedir-se do Pedro. Na imagem,também não estão os mais “refratários” (já quase “desertores”) membros da tertúlia, o José Maria Brandão de Brito e o Jorge Calheiros, seguramente algures “de serviço” no dia em que ela foi tirada. O Pedro surge na fila da frente tendo no seu ombro a mão do Carlos Figueira, o “secretário-geral” perpétuo destes nossos encontros.

5 comentários:

Ana Vasconcelos disse...

Gosto da forma como lembra a vida de pessoas que nos vão deixando, mas cuja memória fica também em textos como estes.

Jose Correia disse...

Houve Capitães de Abril,mas também houve Capitães Milicianos ?????
-Correcto e afirmativo, caro aspirante a oficial miliciano!!!!
E já agora, o 25Abril, não se deve aos últimos, isto é, aos Milicianos que comandavam as tropas de quadrícula na frente de combate na Guerra do Ultramar ????

Anónimo disse...

Usando o slogan da multinacional (que foi) dos EUA, aqui fica, e que assenta como uma luva: "PARA MAIS TARDE RECORDAR…"

Anónimo disse...

Que descance em paz.
Estāo presentes varios "grandes" leões, entre os quais, esse senhor de camisa branca na primeira fila. Pessoa muito afável com quem me cruzei em Avalade.
C.Falcao

José Alberto disse...

Hoje passaram 7 dias sobre a data em que o nosso Amigo Pedro Gonçalves faleceu. Por motivos que a razão desconhece, Alguém com poder absoluto decidiu que estava na altura de o Pedro mudar de dimensão ou passar para algum outro Universo paralelo. Lá estará ele, em paz e descanso. Aqui estamos nós, os do grupo, a família e outros amigos, com a tristeza e de o ter visto partir. Subscrevo tudo o que o FSC disse sobre o Pedro e acredito que durante muito tempo, o seu carácter, a sua vituosidade, o seu sorriso, entre outros atributos, irão permanecer gravados nas nossas memórias. Adeus Pedro e no dia do almoço no CMN, serás naturalmente lembrado entre o sempre presente "Viva a Maria da Fonte" e agora, também, o "Viva o 25 de Abril". José Melo