A rua, que depois passa a estrada, chamava-se, e chama-se, Mosseveien. Significa, literalmente, “caminho de Moss”, sendo que Moss é uma localidade a sul de Oslo.
Estávamos na Noruega, em 1981. Eu conduzia o meu carro. Comigo ia o vila-realense Álvaro Magalhães dos Santos, que desde há muito tinha migrado para Lisboa, ali de visita. Quando lhe disse que estávamos no “caminho de Moss”, esse meu amigo reagiu: “Quem não deve gostar desta estrada é o Behra!”. As nossas “respetivas” ficaram a olhar para nós, sem perceber. Nós sorrimos, crípticos.
Em 1958, Stirling Moss venceu o circuito internacional de Vila Real. Jean Berha ficou no segundo lugar no pódio.
Moss era uma estrela da Fórmula Um, sendo que a história da competição automóvel o consagrou como o grande campeão que nunca conseguiu ter um título mundial. Behra, comparado com ele, como “corredor de automóveis”, estava a grande distância.
As “corridas” de Vila Real, por esse tempo, trazendo à cidade algumas figuras relevantes do automobilismo mundial, não contavam para qualquer prova. Eram apenas exibições, embora magníficas.
Só muitos anos mais tarde vim a saber que esse resultado, em 1958, tinha sido combinado, que a vitória de Moss sobre Behra já estava decidida à partida. Senti-me frustrado. Não sei se cheguei a comentar isso com o Álvaro, que já se foi há muito.
Repito aqui a fotografia, a cores!, de Moss e Behra, em Vila Real. Moss à frente, Behra já atrás, como combinado.
Stirling Moss morreu hoje, aos 90 anos. Behra morreu, num acidente numa prova, em 1959, no ano seguinte à sua presença em Vila Real.
