A sua primeira visita a Portugal tinha sido a convite do Bloco de Esquerda. Se isso não dizia tudo, dizia bastante. Jeremy Corbyn nem parecia ser um mau homem mas, desde o primeiro instante que apareceu e se fez ouvir, toda a gente percebeu que era, em absoluto, “unelectable”. Nada que a esquerda britânica não tivesse experimentado já no passado, com gente igualmente estimável, embora de qualidade muito superior, como Michael Foot.
Alguns dos meus amigos, mais “esquerdalhos”, virão logo à carga: “Mas então, a esquerda britânica, para chegar ao poder, tem obrigatoriamente de ser titulada por figuras da sua “direita”, como Tony Blair?“.
Para quem é democrata e não vive com os pés bem assentes no ar, a resposta é dada sempre pelo eleitorado. Corbyn, que teve à sua frente um dos momentos mais desastrosos do Partido Conservador, saído de líderes tão medíocres como Cameron ou May, conseguiu perder uma das oportunidades de ouro do Labour, em décadas, pela sua clamorosa incapacidade na gestão do processo do Brexit. Pior era impossível! Pusilânime, equívoco, roçou frequentemente o oportunismo mais primário.
Era evidente que Corbyn nunca seria primeiro-ministro do Reino Unido. Agora, no seu currículo, pode registar um milagre: ter sido o principal responsável pela eleição de uma figura tão caricata como a que está hoje em Downing Street. Se os conservadores dominam largamente os Comuns, é graças a ele, “by appointment to Boris Johnson”.
