sexta-feira, abril 03, 2020

Soneto mal guardado


Ora, se tu deixaste o papel em qualquer lado

É questão de o procurar com mais cuidado.

Bem sabes que a tentação é grande e que o pecado

Surge a quem vê um poema mal guardado.


Mas para que quereria alguém esse soneto?

Será um ladrão, um malfeitor, o que sei eu?

Terá sido um parente, uma filha, um neto?

Só o que eu sei é que o soneto desapareceu.


Vou comprar um cadeado novo.

Assim, mais seguro me sentirei com ele na algibeira.

Para não defraudar a arte e o povo.


Entretanto, à espera, será desta maneira

que escreverei um soneto muito mais novo

que, esse sim, guardarei bem na algibeira.


José Sesinando


(assim se chamava literariamente José Palla e Carmo)

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