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sexta-feira, abril 10, 2020

O Holandês Voador


Pessoa escreveu o Mostrengo. Os tormentas do nosso cabo europeu ficam aqui neste poema de conjuntura do meu amigo e poeta Luís Castro Mendes, sobre este “Flying Dutchman” que agora nos saiu em rifa:

O Holandês Voador

O holandês que o dinheiro está a contar
na noite de breu ergueu-se a voar.
À volta da Europa rodou três vezes,
rodou três vezes a chiar. E disse:

Quem é que ousou vir tentar
fugir à Morte com os meus fundos
sem os juros me vir pagar,
sem meus conselhos profundos?

De quem é a preguiça por que me roço,
a ligeireza que vejo e ouço,
disse o holandês e rodou três vezes,
como o outro rodou, imundo e grosso.

E o homem do leme tremeu e disse:
eu sou do cabo do mundo.

Três vezes ao écran as mãos ergueu,
três vezes no teclado se reconheceu
e disse no fim de tremer três vezes:

Aqui na videoconferência sou mais do que eu.
Sou a Europa que quer o dinheiro que é seu.
E mais que o holandês que a conferência teme
e esconde o seu ouro todo no fundo
manda a vontade que me segura o leme
para resistirmos ao pavor do mundo.

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