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sexta-feira, abril 10, 2020

“Indemissível”


A crise pandémica criou uma situação caricata no Brasil. O presidente, que refuta a bondade das teses do isolamento das pessoas e, temente das consequências políticas da quebras económicas da conjuntura, quer flexibilizar rapidamente algumas restrições impostas, acaba de perceber que não tem condições - leia-se, poder - para demitir o seu ministro da Saúde. É que, em escassas semanas, o governante, de seu nome Mandetta, de obscura figura política passou a vedeta nacional - pela serenidade que projeta, pelo bom senso que demonstra, pela segurança que as suas intervenções públicas transmitem. E como defende teses em tudo opostas às orientações de Bolsonaro, a questão acabou por se transformar num braço de ferro entre os dois. O presidente, em sucessivos comentários públicos, ameaçou “usar a caneta”. Mas a ausência de tinta política suficiente impede, pelos vistos, que a sua vontade de demitir o subordinado passe a letra de forma. As lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado, repercutindo o sentimento prevalecente em ambos os órgãos, tal como figuras cimeiras do Supremo Tribunal Federal (que os anos têm vindo a converter numa instituição com interferência regular nos atos do executivo, situação muito bizarra aos olhos europeus), acompanhados por 20 dos 27 governadores de Estados, defendem abertamente o ministro contra Bolsonaro. Ao que consta, muitos militares seguem a mesma linha. E o ministro, de cuja estratosférica popularidade o presidente tem inveja, tornou-se assim “indemissível”, pelo menos até ver, para usar uma expressão curiosa criada pelos brasileiros, que, no entanto, ainda não arranjaram qualquer outra para substituir o qualificativo de inimputável, que, esse, já ninguém com dois dedos de testa recusa atribuir a Bolsonaro.

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