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terça-feira, junho 18, 2019

Poulidor


Hoje de manhã, durante uma reunião, alguém me disse, em voz baixa, referindo-se ao segundo lugar em que uma determinada instituição ficara, numa certa escala: “É uma espécie de Poulidor!”.

Ri-me e disse-lhe que aquela era, manifestamente, uma referência muito geracional: muito poucos jovens reagiriam perante aquele comentário, desconhecendo por completo a que se referia.

Raymond Poulidor foi um grande ciclista francês, vencedor de várias provas no seu país e no estrangeiro, mas que não só nunca conquistou o "Tour de France" como nem nele sequer chegou a vestir alguma vez a "camisola amarela", embora tenha ganho várias etapas. Era tido pelo “eterno segundo”: foi três vezes segundo classificado e cinco vezes terceiro na Volta à França.

Poulidor é hoje um ídolo para várias gerações francesas, que carinhosamente lhe chamam “Poupou”. É também uma figura por quem, desde sempre, nutro uma imensa simpatia, nesta minha incontrolável tendência para gostar dos gloriosos e dignos "losers". Tanto mais que eu não sigo o lema cínico dos obcecados com as glórias que sempre acham que, numa classificação, o segundo lugar é aquele que é mais parecido com o último...

(Do que a gente se lembra numa sala de espera de um consultório, com wifi e iPhone à mão!)

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...