sábado, 8 de junho de 2019

A agenda do presidente

Passou bem mais de uma semana. E, desde então, as palavras do presidente da República, ditas perante legisladores americanos, foram glosadas até à exaustão.

Para o que aqui me importa, Marcelo Rebelo de Sousa disse na altura que, muito provavelmente, o país iria assistir a uma crise na direita, mas que ele, um presidente oriundo dessa mesma direita, funcionaria como um fator equilibrador.

O presidente não “dá ponto sem nó”. Depois ter ter sido tão estranhado o seu silêncio na chamada crise dos professores, mesmo com a ameaça de demissão de António Costa, ele decidiu colmatar esse seu pontual défice de presença pública e veio a terreno, um tanto inopinadamente, comentar, no fundo, os efeitos que, a prazo, o resultado das eleições europeias poderiam vir a ter.

O presidente deixou claro a sua perspetiva de que, salvo um imprevisto, as próximas eleições legislativas acentuarão o declínio dos dois partidos da direita. Implícito ficou que, nessa possível conjuntura, poderia ocorrer uma instabilidade nas respetivas lideranças, em especial se ficarem com  grupos parlamentares reduzidos e, por isso, impotentes.

Nesse contexto, da perspetiva de uma governação forte titulada pela esquerda, com uma orfandade nos setores tradicionalmente votantes à direita, ele, Marcelo Rebelo de Sousa - repito, oriundo dessa direita - surgiria, sob autoridade constitucional, como um fator compensador do regime, um contraponto, não deixando que uma parte do país o sentisse “acaparado” pela outra, na expressão nacional dos poderes. No fundo, Marcelo Rebelo de Sousa quis, muito simplesmente, dizer que, por esse motivo, sente um imperativo em se recandidatar.

Podemos perguntar-nos se é natural um presidente exprimir-se publicamente desta forma, ao jeito de comentador, sabendo que a sua palavra pesa bastante e pode impactar sobre a própria realidade. Não é, mas Marcelo pressente que tem o dever (político, não institucional) de atenuar a inquietude que atravessa o campo conservador que maioritariamente o elegeu, atalhando o desespero que aí pressente existir. É claro que isso pode levar à questão de saber se um presidente “de todos os portugueses” deve sugerir-se como especial representante de alguns. Não deve, mas Marcelo faz uma interpretação muito peculiar do seu papel presidencial e deve achar que esta eventual subversão de papéis públicos pode acabar por ser um fator de “acalmação” no país.

Na política, como na História, nada se repete. Porém, vale a pena lembrar como Mário Soares acabou por funcionar como contraponto, para a esquerda, nos “anos de chumbo” que esta passou sob a governação de Cavaco Silva. No final, recorde-se, Soares saiu incensado em glória e na memória coletiva da esquerda, com muita direita aos seus pés. Estou em crer que um cenário simétrico não desagradaria a Marcelo de Sousa

4 comentários:

dor em baixa disse...

Depois do mutismo a que a votação dos partidos da direita o condenou, quando da votação sobre a carreira dos professores, voltou a opinar sobre tudo e um par de botas. Estar a condicionar a reeleição com uma promessa de colinho à direita, é demais. Não é consentâneo com a função presidencial, é sim com a recandidatura a comentador televisivo.

Augie Cardoso, Plymouth, Conn. disse...

Os portugueses a voltarem com os pes. Ou NAO VOTAREM.
Com um voto afirmativo de 12 por cento pras esquerdas, e 13 por cento pras direitas ( direito propriedade individual, nacao portuguesa e economia de mercado ). O presidente Sousa esta errado nas percentages. A direita ganhou 1 por cento em relacao as anteriores.

O systema nervoso parasinptetico, em que faz o contrario do expectado, da dupla Sousa e Costa, esta funcionando. O primeiro Ministro tambem diz que o problema do Deficit acabou. Os factos a divida publica subiu de 220 par 250 bilions no reinado de A. Costa.

Nas europeias ninguem fala, que Portugal paga 2 bilions para pertencer ao Club de Bruxelas e o Costa propoe subir um por cento em finance e digital transaction tax.
So o partido das bestas, PAN, esse foi Claro: Caes e outros animais no sofa e restaurante, homens nas barracas ou na ponte sta bem,
Cao ao colo e cuidado, homem fora do carro , a pe ou bicicleta. The green new deal.
Aborto e EUTANASIA pras pessoas protection dos animais.
A mudanca iminente. Apogeu da condicao e tempo revolucionario.

Onde esta a pessoa Com CORACAO DE ACO E SANGUE DE TIGRE ?!?!?

Agostinho da Silva disse...

O Seixas da Costa,escusava de se incomodar (?) com o COMENTÁRIO de Augie Cardoso...
-Caramba,isto sim , é colocar o dedão na ferida, e chamar os bois pelo nome...
!!!!!!
Bem haja Augie Cardoso.

vitor disse...

A Constituição é muito clara sobre o o papel do PR. Marcelo nunca passou de um pantomineiro. Aliás ainda ontem disse que não se pronuncia sobre a lei de bases da saúde enquanto ela estiver no Parlamento. Depois de já se ter pronunciado. Isto tem um nome.