terça-feira, 18 de junho de 2019

Neste blogue, faz hoje 10 anos


18.6.2009

Carlos Candal

“No início dos anos 60, havia sido líder da luta académica, em Coimbra. Jorge Sampaio contou-me que, num dia desses tempos, foi de Lisboa a Coimbra para um diálogo entre lideranças universitárias, em período de tensão política forte. Com todos os cuidados que a segurança recomendava, dirigiu-se à República onde vivia Carlos Candal, que não conhecia pessoalmente. Bateu à porta e atendeu uma governanta, que disse que "já ia chamar o Dr. Candal" - em Coimbra, à época, "era-se" doutor antes do curso acabado. O ambiente era muito diferente do contexto homólogo lisboeta, com desenhos humorísticos pelas paredes, garrafões e outros artefactos pendurados do tecto, enfim, toda a parafernália simbólica da boémia coimbrã. Minutos depois, Jorge Sampaio ouviu, do alto da escada, um vozeirão: "Olá, menino! Já desço". Sampaio olhou e lá estava, ainda de roupão indiciador de grande noitada na véspera, a figura do seu interlocutor político, Carlos Candal. Nesse momento, o futuro Presidente da República terá percebido melhor a diferença eterna entre a maneira de ser das academias de Lisboa e de Coimbra. E dos políticos oriundos de ambas, claro.

1 comentário:

Augie Cardoso, Plymouth, Conn. disse...

Sr FS da Costa,
Aqui se ve as pequena a historias de uma vida, bem contadas, fazem a vida soberba Dao a lingua e costumes da NACAO portuguesa, vida e eternidade. Valor ao Embaixador.
Nao so a Patria de F Pessoa, Mas Tambem aquele lavrada nos campos de Sao Mamede e enraizada nos campos de Ourique, pelos celtiberos do Minho e Tras dos Montes ha 900 anos.
Bem haja e mais do mesmo.