quinta-feira, 20 de junho de 2019

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20.6.2009

Chile


Ao ler a notícia da morte de Hortensia Allende, não pude deixar de recordar a primeira visita que fiz, em 2000, ao Palácio de la Moneda e a profunda emoção que senti ao percorrer aqueles corredores, por onde havia passado um vento de tragédia que iria afectar, por muitos anos, a vida do Chile. E que, à época, me marcou imenso.

José Miguel Insulza, ministro chileno do Interior, presidente interino, que me recebeu no Palácio, disse-me então que entendia bem o sentimento da nossa "generación de los claveles" perante o golpe chileno.

Voltei a encontrar Insulza, no ano seguinte, numa livraria, em Nova Iorque, poucas semanas depois do 11 de Setembro. Lembrou-me: "nosotros también tuvimos el nuestro 11 de septiembre". De facto: 28 anos antes, em 11 de Setembro de 1973, data do golpe de Pinochet e da morte de Salvador Allende. 

Uma tragédia não apaga a outra, mas, por uma qualquer razão, vale sempre a pena lembrá-las juntas.

8 comentários:

Joaquim de Freitas disse...

Bravo mais uma vez por este “post” Senhor Embaixador. Sim, tem razão, é preciso não esquecer esta data fatídica.

2.279 Mortos e 957 desaparecidos, 150.000 pessoas presas, 27.255 torturados, centenas de milhares de exilados políticos. Estes números são provavelmente minorados.

Em 11 de Setembro de 1973, o general Augusto Pinochet lançou o exército contra o Presidente eleito Salvador Allende.

Pinochet, em seguida, confiou nove toneladas de ouro ao banco britânico HSBC em Hong Kong para garantir o seu futuro e o dos seus filhos. Mais tarde, ficou irritado em Londres por um mandado de detenção internacional emitido pelo juiz espanhol Baltasar Garzon por "genocídio, tortura, terrorismo internacional e sequestros". Mas foi embora, livre.

A cada 11 de Setembro, a compaixão global fabricada pelas elites políticas e dos media voa sobre o Palácio da Moneda, em Santiago do Chile, sem parar.

Para pousar fortemente num bairro de Nova York, onde a tinta das canetas chora, as vozes da rádio tremem e as câmaras de televisão estremecem numa comunhão de compaixão sem limite. Aqui, quem não chora não é um democrata.

alvaro silva disse...

Sim uma tragédia ! Despoletada pela insanidade do dr Allende que sem qualquer cuidado e precaução entrou numa deriva comunista sem querer ouvir ninguém do outro lado e, como diz o ditado quem semeia ventos colhe tempestades

Anónimo disse...

Alvaro Silva,
O que você diz é uma BARBARIDADE! No fim de contas, você defende o fascismo chileno, a Ditadura sangrenta de Pinochet e justifica esse criminoso que foi Pinochet. Pssoas como você justificam sempre as Ditaduras de Salazar, Franco, Hitler, dos Generais da Argentina, do Brasil, simpatizam com Bolsonaro, Trump, etc. Allende não era comunista, mas que fosse! Foi DEMOCRATICAMENTE eleito. Pinochet fez um golpe de esado, finaciado pela CIA, lá vemos, nas fotografias, Henry Kissinger a cumprimentar Pinochet, sorridentemente. São pessoas como você Alvaro Silva que contribuiem para que os parâmetros da Democracia nos países democráticos se esvaziem. Imagino-o Católico, como convèm a todo bom Reaccionários. Allende era um democrata exemplar e que se preocupava com os mais desfavorecidos. O problema dele foi o ter nacionalizada o as minas de cobre, que os EUA exploravam e controlavam. E quando de repente essa matéria prima ficou nas mãos do povo chileno, o Capital norte-americano reagiu, pedindo que os seus "agentes de mão", a Administração norte-americana, agisse.
Tenho um profundo asco de quem defende, ou justifica, as Ditaduras, como aquela de Pinochet.
Sr. Silva, tenha vergonha! Você é uma pessoa politicamente reprovável.
a) Jorge Albuquerque

Joaquim de Freitas disse...

“insanidade do dr Allende que sem qualquer cuidado e precaução” escreveu o Sr. Álvaro Silva…Podia ter acrescentado que: “aceitou de ser eleito democraticamente num país soberano, pelo seu povo. «Mas para o Sr. Álvaro Silva, a democracia “semeia ventos”. O Fascismo seria melhor…para evitar a ventania…

Quem ler correctamente a História do Chile saberia que:

No dia 4 de Setembro de 1970, o médico Salvador Allende ganhou as eleições directas para presidente no Chile com uma maioria de 36,2% dos votos. Pela primeira vez na América Latina, um político socialista chegava ao poder de forma democrática.

Allende assumiu o poder numa época em que 45% do capital do país estavam nas mãos de investidores estrangeiros, as minas de cobre eram praticamente de domínio norte-americano e 80% das terras eram propriedade de latifundiários.
Em 1970, a dívida do Chile era de mais de quatro bilhões de dólares, a segunda maior do mundo.

Durante o seu governo, Allende começou a fazer as reformas que havia prometido: estatizou bancos e grandes empresas e, em 1972, fez o mesmo com as minas de cobre. Essas mudanças económicas e sociais tiraram o país da péssima situação em que se encontrava.
Em 1971, o Chile apresentou um crescimento económico de 8,5%, o segundo melhor resultado dos 23 países da América Latina.

Mas o sucesso eleitoral, democrático, de Allende era um exemplo que os Estados Unidos não aceitavam. Consideravam que a democracia podia estender-se a toda a América Latina.

Nixon decretou a morte de Allende .

Vejo que os assassinos têm sempre quem lhes achem circunstâncias atenuantes.

alvaro silva disse...

Caro Anónimo
Tenho 70 anos e era activista q. b. nos anos 70, estava atento ao que se passava no mundo. O dr Allende foi eleito democráticamente sem dúvida, mas não podia ter feito o que fez sem medir as consequências, por exemplo o Chile era o maior produtor de cobre e os Estados Unidos o maior consumidor, Sem avaliar a economia do Chile o dr Allende embarcou na conversa dos 7ou 8% dos votantes do PC chileno, nacionalizou as minas sem prever o ricochete e isso chama-se ou inocência ou burrice. Não valorizou as "cacerolladas" das mulheres chilenas e seguiu na radicalização e só foi apoiado pelos radicais de esquerda que históricamente todos sabemos quem são e quais são as suas brilhantes capacidades para gerir a economia. Deu no que deu, provocaram e foram eliminados pelo general Pinochet e sus muchachos. O mesmo se passou em Cuba e ninguém reclamou. Para concluir o dr Allende foi cativado e morto(?) por aqueles a quem se aliou. Não quero fazer ataques ou defesas de ninguém mas no caso do Chile foi lamentável ter um presidente como o dr Allende, olhe que a socialista Bachelet não embarcou na canção do PC chileno e manobrou á vista. olhe se tiver hipóteses procure os jornais da época nomeadamente o Clarin de Buenos Aires. Pode ser que corrija a opinião. Olhe para mim o poder e os indivíduos que o têm são demasiado parecidos para que nos deixemos imolar por eles. Cumprimentos

Anónimo disse...

Álvaro Silva subsiste na defesa do indefensável. As minas de cobre chilenas eram isso mesmo: chilenas. Mas, para o Sr. Silva, orgulhosamente septuagenário (e, já agora reaccionário) Allende teria de consultar Washington sobre o que pensava fazer, ou seja, resignar da sua soberania. Como era hábito comportarem-se os países à época da América Latina (embora hoje, as coisas não sejam muito diferentes, basta ver o que se passa com a Venezuela, que, se não tivesse petróleo, o Tio Sam não se preocuparia com Maduro).
Mas, o que fica como registo – abominável – do Sr. Silva é a ausência de crítica ao golpe fascista e criminoso de Pinochet, apoiado e financiado pelos EUA, essa potência "defensora" dos Direitos Humanos, Liberdades e Garantias. Mais, volta a justificar o golpe de estado criminoso, que deu origem a milhares de mortos, de desaparecidos, de prisioneiros políticos, etc.
O coração católico do Sr. Silva está com Pinochet. Não com Allende. Mesmo após lhe ter sido demonstrado, pela argumentação do Leitor Joaquim de Freitas, que a economia chilena saía da crise em que se encontrava e recuperava, crescendo.
Um fascista nunca aceita outros argumentos se não os seus. Um fascista não é tolerante. Para um fascista a Democracia não pode aceitar Partidos de Esquerda. E quando, numa Democracia, um Partido ou Candidato de Esquerda vence, democraticamente, eleições, deve ser derrubado, pela força se necessário e essa atitude merece ser louvada.
Álvaro Silva, você é uma lamentável e triste figura reaccionária. Está no seu direito, neste Portugal democrático. Mas, pelo menos respeite as vítimas da repressão fascista e criminosa levada a cabo por esse facínora – apoiado por Washington, nunca é demais recordar e relevar – que foi Augusto Pinochet. Um homem que nada deve a Adolf Hitler.
a)Jorge Albuquerque

aguerreiro disse...

Sr Jorge
Parabéns pela sua muitíssima "democrática" visão dos assuntos da história. Se isso o faz mais feliz não sou eu quem o estorve. No fundo o "fascismo" de que fala não passa de mais um socialismo á italiana como toda a gente sabe e a grande maioria de nós não o associa á "esquerda" o que é absolutamente falso, o mesmo se poderá dizer no nacional-socialismo e até do cristianismo de há 1900 anos. Pense, leia, invista contra os seus fantasmas e passe bem.

AV disse...

Sempre me impressionou, esta insólita fotografia de um dia sangrento.
Li, algures, não sei se será correcto, que o cão que passava solitário pela parada militar era de Allende, que tinha vários e muito os estimava.